Mostrando postagens com marcador Choque. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Choque. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, novembro 05, 2010

Beber, cair, levantar



Isso é tão, tão, tão verdadeiro. O tempo é mesmo uma coisa mágica, se tivermos paciência para esperar que ele passe. Lava e desinfeta tudo melhor que lysoform.

Às vezes eu me olho no espelho e me estranho, levo um susto com aquela pessoa que desconheço (em parte porque estou gorda), que pensa e age de um modo totalmente novo. Daí fico com medo e tento me encaixar na pessoa que eu já fui, que eu conheço bem. E simplesmente não encaixo.

E então começo a pensar nas pessoas que faziam parte de mim, que eram minha órbita e meu porto seguro. Sem elas, eu achava que ficaria sem ar, sem rumo, sem lenço nem documento e sem as quais eu jamais conseguiria viver. Elas se foram e eu continuei respirando. Verdade que perdi o rumo, arrebentei a cabeça, arrebentei os dedos de tanto dar murro em ponta de faca, arrebentei principalmente o coração e fiquei bem pertinho de morrer. Mas nem morri, ó.

Dormi, acordei, dormi de novo e daí um dia tinha passado. De um jeito tão absoluto e definitivo que chega a ser cruel. Não como se nunca tivesse existido, isso é balela. Felizmente nada que fez parte de nós some como se nunca tivesse existido. Sumiu levando embora toda a dor, desespero e angústia e me deixou diferente. Com coragem suficiente para admitir que é tão melhor assim como é hoje.

Levei o maior susto do mundo quando me dei conta de que todas aquelas fotos, presentes e cartas não me diziam absolutamente mais nada. Pareciam pertencer a outra pessoa - e acho que pertenciam mesmo, aquela eu de cinco, dez anos atrás. Assustei também com o quanto foi fácil jogar tudo fora junto com as roupas que não servem mais.

No fim das contas acho que é isso mesmo, né? A vida é igualzinha um guarda-roupa. Se a gente não admite que aquelas roupas às quais temos o maior apego estão feias, puídas ou não servem mais, não consegue nunca espaço pras roupas novas, lindas e ricas.

quinta-feira, julho 16, 2009

Mudança de paradigmas ou nocaute

Eu tenho esse blog há nove anos. É o meu relacionamento mais longo e fiel. Nesse meio tempo muita gente veio e foi, conheci e adorei algumas, sempre quis conhecer outras. Mas né. Eu sou uma cética horrorosa e má. Eu odeio a humanidade e eu não acredito nas pessoas.

E por mais que o mundo esfregue na minha cara que desconfiar dos relacionamentos virtuais é coisa de véio, eu continuo desconfiando. Amigo de internet? Ah, vá. Coisa mais loser.

Só que loser, meu amigo, sou eu, que insisto nesses paradigmas. Porque se for ver, eu tenho alguns amigos virtuais desde a época que o blog começou. Que passaram da caixa de comentários pro email, do email pro msn, do msn pra mesa do bar. Tempo bagarai. São poucos os amigos "reais" de tanto tempo assim.

Pois bem. Hoje aconteceram coisas bizarras e ruins relacionadas a dinheiro. E eu fiquei o dia decidindo se me prostituía ou cortava os pulsos. Eis que um desses amigos virtuais se prontifica a me ajudar. O cara nunca me viu na vida. Nunca nem falou comigo pelo telefone, embora me conheça melhor que um monte de gente que almoça e janta comigo, pelo tanto de tempo que passa lendo as bostas que eu posto aqui.

Ninguém pode imaginar o tamanho do meu choque. Ninguém. Como assim um gesto de desprendimento desse tamanho, como assim alguém confia que eu não sou uma picareta sem nunca ter me visto? Esse tipo de coisa não existe, eu nunca soube. Só família faz isso, e geralmente é meio que por obrigação.

Eu estou assim, meio sem ar, meio sem jeito, meio com vergonha de mim mesma, de ter passado esses anos todos achando que o mundo não vale nada e que confiar nos outros é pedir pra se foder. Eu perdi um puta tempo na minha vida. Quanta gente será que eu não deixei pelo caminho achando que não valia o esforço, que era tudo um bando de féladaputa?

Na verdade eu nem sei explicar direito. É uma mudança muito enorme. E é a terceira vez essa semana que a humanidade me mostra que presta sim, e muito. Pode até ser que esse blog finalmente morra. Porque agora eu vou falar do que? Do meu amor pelo Magno, pela Stella e pela Ana?

Eu nem sei. Vou sair tomar um ar e me recuperar do choque. Muita informação pra digerir.

E Magno, cara, obrigada muito. Não pela oferta, mas por ter me mudado. POrque acredite, cara, vc fez o que cinco anos de terapia não fizeram. Tem dinheiro que pague isso, não.

PS.: Enquanto isso, coleguinhas, super aceito frilas, ok? Porque é óbvio que eu não vou aceitar o dinheiro suado do Magno.