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terça-feira, outubro 19, 2010

Juliet, naked

Sexta à noite: Compro Juliet, Naked, depois de um longo jejum de livros.
Sábado de manhã: olho pra Juliet, Naked com desconfiança, pois detestei Uma longa queda
Sábado, pouquinho mais tarde da manhã: carrego Juliet, naked pro quintal. Vou fumar um cigarro e decido dar uma passadinha de olho
Sábado, meio dia: Estou no terceiro capítulo de Juliet, Naked, sem nem pensar em parar.
Sábado à tardinha: Estou delirando, querendo saber onde todos aqueles fodidos vão parar. O namorado ameaça me dar o bilhete azul se eu não lhe der atenção, o cão ameaça engolir o próprio rabo se eu não lhe der atenção, os gatos não ligam nem um pouco se eu lhes dou atenção ou não. Não consigo atender a nenhum deles, pois estou hipnotizada por Nick Hornby.
Sábado de madrugada: Leio a última linha de Juliet, Naked e fico puta da cara porque não entendi o final.

Desde domingo que estou com cara de bolinha, tentando achar uma resposta cartesiana. Nunca me dei bem com finais interpretativos. Por favor, me expliquem, por favor, eu preciso de algo um pouco mais preto no branco do que aquilo, porque não estou conseguindo absolutamente me concentrar em Orgulho e Preconceito e Zumbis.

sábado, maio 15, 2010

Extremamente alto & incrivelmente perto

Estou lendo de novo. Tinha lido há algun anos, numa época em que minhas botas pareciam ser as mais pesadas do mundo inteiro. Naquele tempo eu acreditava ter perdido tudo, família, amigos, marido, até os bichos de estimação tinham ido embora. Meu único objetivo, quando acordava, era conseguir fazer as horas passarem depressa o suficiente para que eu pudesse dormir de novo, de preferência por muito tempo. E foi bem difícil acabar o livro, porque é uma história engasgada de perdas, e cada linhazinha que eu lia parecia um anzol descendo pelo meu coração.

Então decidi ler de novo agora, quando minhas botas estão mais leves do que plumas, para ver que outro sentido eu tirava da história. E estou vendo que o anzol continua lá, puxando tanto quanto antes. Mas meu coração parece estar mais resistente. Ao contrário de antes, quando eu queria ser colocada no colo e amada da mesma forma que o Oskar, hoje eu tenho vontade de dar colo e amar o Oskar. Parece que não preciso mais ser aquele que se faz roxos, porque estou forte o suficiente para cuidar dos roxos. os meus e os dos Oskars.

Não é que eu não sinta mais as perdas nem lamente toda a dor que vem com elas. É só que eu não penso mais no que poderia ter feito para evitá-las. Não busco mais jeitos de reconstruir o que se foi, pessoas para substituir as que não estão mais aqui. Aceitei que elas são insubstituíveis e sempre serão parte de mim. O que não existe mais sempre vai estar vivo enquanto eu estiver, pois foi o que fez o que eu sou.

E tudo que eu não quero hoje é deixar de existir, sumir, desistir. Quero com muita força continuar a escrever a minha história, uma história nova que deve ser bem diferente daquela que passou porque eu sou diferente da pessoa que viveu aquele passado. Parece piegas, mas hoje eu quero que cada dia dure bastante, porque as 24 horas são muito pouco para todas as coisas que eu estou construindo e para estar com todas as pessoas que trocam minhas botas por sapatilhas de balé. Não se trata de uma felicidade eufórica, ansiosa. Se trata apenas de existir com satisfação.

Sobre o livro, tenho a sensação de finalmente ter entendido o que a Vó quis dizer.

"Passei a vida aprendendo a sentir menos. Cada dia eu sentia menos. Isso é envelhecer? Ou é algo pior? Não é possível proteger-se da tristeza sem antes proteger-se da felicidade."