terça-feira, maio 18, 2010
sábado, maio 15, 2010
Extremamente alto & incrivelmente perto
Então decidi ler de novo agora, quando minhas botas estão mais leves do que plumas, para ver que outro sentido eu tirava da história. E estou vendo que o anzol continua lá, puxando tanto quanto antes. Mas meu coração parece estar mais resistente. Ao contrário de antes, quando eu queria ser colocada no colo e amada da mesma forma que o Oskar, hoje eu tenho vontade de dar colo e amar o Oskar. Parece que não preciso mais ser aquele que se faz roxos, porque estou forte o suficiente para cuidar dos roxos. os meus e os dos Oskars.
Não é que eu não sinta mais as perdas nem lamente toda a dor que vem com elas. É só que eu não penso mais no que poderia ter feito para evitá-las. Não busco mais jeitos de reconstruir o que se foi, pessoas para substituir as que não estão mais aqui. Aceitei que elas são insubstituíveis e sempre serão parte de mim. O que não existe mais sempre vai estar vivo enquanto eu estiver, pois foi o que fez o que eu sou.
E tudo que eu não quero hoje é deixar de existir, sumir, desistir. Quero com muita força continuar a escrever a minha história, uma história nova que deve ser bem diferente daquela que passou porque eu sou diferente da pessoa que viveu aquele passado. Parece piegas, mas hoje eu quero que cada dia dure bastante, porque as 24 horas são muito pouco para todas as coisas que eu estou construindo e para estar com todas as pessoas que trocam minhas botas por sapatilhas de balé. Não se trata de uma felicidade eufórica, ansiosa. Se trata apenas de existir com satisfação.
Sobre o livro, tenho a sensação de finalmente ter entendido o que a Vó quis dizer.
"Passei a vida aprendendo a sentir menos. Cada dia eu sentia menos. Isso é envelhecer? Ou é algo pior? Não é possível proteger-se da tristeza sem antes proteger-se da felicidade."
segunda-feira, abril 19, 2010
Pontuação
Olho para todas as coisas tão cheias de significado e ao mesmo tempo tão vazias. O que tudo quis dizer? Será que alguém realmente errou ou só não era pra ser? Será que seria justo optar por apenas uma entre todas as coisas que nos são caras, será que é o certo dar peso pro nosso gostar?
Nunca consegui responder e ainda não sei. E me pergunto se todas as cores que eu achava que só eu via realmente existem ou foram só alucinação?
quinta-feira, abril 08, 2010
Anos 90 feelings

Só não sei como é que um bando de meninos de 20 e poucos anos ainda se lembra da noiva do Dinho.
segunda-feira, março 15, 2010
Liberdade ainda que à tardinha
Assim como cozinhar, ler, ver TV, arrumar gavetas, dormir, falar sozinha, fazer escalda-pés, cuidar das plantas, tomar sol, ficar de bobeira na varanda, amassar o cão, ler bilhetinhos e cartas antigas, escrever e, se eu estiver de muito bom humor, ligar pros poucos e bons. E isso é só o sozinha dentro, porque ainda tem o sozinha fora, que inclui ir ao cinema ver SÓ O QUE EU QUISER, tomar o metrô sem destino, passar horas e horas e horas e mais horas vendo vitrines na Teodoro (em dias pobres) ou na Oscar Freire (em escassos dias ricos), tomar café na padaria, andar na feirinha, ver filhotinhos na Paulista...
Outro dia comentei com uma amiga o quão reconfortante é poder ficar em casa numa sexta-feira à noite simplesmente porque é o que você está a fim de fazer. Sem ter que ir à luta, sem ter que comprovar popularidade para ninguém, sem ter que dar sorrisinhos fingidos enquanto pensa nos seus lençóis macios e cheirosos.
Porque você sabe que existirão muitas outras sextas-feiras (e quintas e quartas e terças, que são bem melhores que sextas) para se jogar na rua, se for essa a vossa vontade. Mas se não for, nunca mais, qual é o problema? Vou fingir estar feliz na rua quando poderia estar feliz de verdade em casa? Não gosto nada dessas obrigações sociais.
E essa é uma parte boa DE VERDADE de já ter passado a etapa djóvem da vida: descobrir que obrigações sociais não são são obrigação coisa nenhuma. Elas só existem na sua cabeça e, sinceramente, não fazem muita diferença a longo prazo. E a minha liberdade de substituir o salto por meias quentinhas e o boteco lotado por um sofá fofinho em uma sexta à noite foi algo que eu conquistei a duras penas e não abro mão por nada nesse mundo. Meu casulo é meu mundo e eu sou uma lagarta muito satisfeita com sua condição, sem a mínima pretensão de virar borboleta.
quarta-feira, março 10, 2010
Quereres
E é isso que eu sei. Agora me pergunta comofas, pra ver se não dá tela azul.
sexta-feira, março 05, 2010
Acordei meio Maysa
Solidão é bom e eu gosto. Tenho muita preguiça das pessoas, sou intolerante, não gosto de sair e tenho vergonha de quem vai pra "balada". Imagino que o céu seja uma cama enorme e confortável, uma TV de 58 polegadas LCD e um estoque infinito de DVDs. Considero o cachorro a companhia ideal. E olha que ele morde a minha cara e mija na sala.
Só que nem todo dia é assim. Nem todo dia eu tenho certeza que o céu é a solidão.
Eu sou viciada em The Sims e sempre achei muito chato aquela coisa de ter que ficar ligando pras pessoas senão elas deixavam de ser suas amigas e vc não conseguia a promoção. Só que na vida real também é assim né? Você tem que dar atenção pros amigos, senão eles somem mesmo. O André, persitente amigo há mais de 15 anos, diz que ser meu amigo é um exercício de baixa auto-estima. Porque eu esqueço aniversários, passo meses sem telefonar, não retorno ligações, não deixo recados no orkut. E é tudo verdade.
Mas é que nem sempre eu quero estar com pessoas. O que mata é a falta de pessoas com quem estar. E quanto mais o tempo passa, menos pessoas sobram para se estar. Porque elas casam, mudam, morrem, vão embora pra Passárgada ou simplesmente um dia vc se liga que não fala com aquela pessoa há tanto tempo que ela já não é mais sua amiga.
E é claro, tem a família, mas a família também tem sua própria família e seus próprios problemas e me faz pensar ainda mais que eu queria ter a minha própria família e tudo acaba saindo ainda pior.
E você se dá conta que simplesmente não tem pra quem ligar. E é meio foda admitir isso, proque eu sempre tive um milhão de amigos e bem mais forte pude cantar. E não tem muito o que fazer, né? Porque eu não acho que vá fazer novos amigos a essa altura da vida, sendo o ser tão sociável que sou, muito menos constituir uma família, sendo o ser tão traumatizado que sou. Talvez eu compre um papagaio, talvez eu adquira uma conta no Par Perfeito, talvez eu abrace uma causa.
Mas o mais provável é que eu não faça nada e vá jogar The Sims. Lá as coisas são bem mais fáceis de resolver.
terça-feira, fevereiro 23, 2010
Não sou nenhum Raskólnikov, mas tbm tô roendo o osso
Não sei se foi uma boa idéia ter adotado o cão. Choro todos os dias pra sair de casa, porque ele fica com aquela cara de, bom, de cachorro abandonado. Pior: de filhotinho de cachorro abandonado. Me sinto culpada, monstruosa e horrível. Chego atrasada todos os dias no trabalho, porque PRECISO voltar 5 vezes para beijá-lo muitíssimo antes de sair, pra ele saber que eu o amo, apesar de ser uma uó que sai de casa e deixa ele sozinho por muitas horas.
No fundo, acho que sofro muito mais que ele. Ele nunca choraminga nem destroi nada além dos jornaizinhos dele. Ontem, estava acomodadinho na almofada, assistindo confortavelmente ao Discovery Kids (porque eu não só deixo a TV ligada o dia todo, como seleciono o canal mais adequado para crianças) e roendo um petisquinho. Quando eu chego, ele fica feliz em me vez, mas não feliz a ponto de fazer xixi. Todos os sites e livros que consultei sobre estresse animal decretaram que ele é muito normal e feliz. Ainda assim, a culpa me consome. Adotarei um gato, portanto, para que se façam companhia. Espero que funcione.
Mas e filhos? Acho que nunca vou poder né? Imagina o tamanho do sofrimento. Vai ser largar o filho na creche e me jogar embaixo de um caminhão pra expiar a culpa. Acho que vai ficar pra próxima, viu?
Difícil demais.
Update: Pronto, seus mala. Taí o filhote, depois de pedir favores e bluetooths a meio mundo. Agora me digam. ele não é liiiiiiindo?
quarta-feira, fevereiro 17, 2010
Maternidade
Um beijo.
terça-feira, fevereiro 09, 2010
Tudo novo
Dessa vez o tal do "ano-novo, vida nova" não ficou só no clichê. Mudei (finalmente!) de casa, mudei de trabalho, mudei o corte de cabelo, mudei a alimentação e mudei os hábitos. Voltei pra escola, pro médico e pro professor de inglês. Larguei a terapia. Ganhei um cachorro e um gato. Comecei a praticar dança. Zerei o cartão de crédito. Passo 15 minutos por dia no trânsito. Tenho uma agenda de gente grande, com anotações muito importantes e impactantes. Pago as contas em dia. Uso salto 15 e esmalte azul.
Mas nada disso foi de caso pensado, por causa do ano-novo. A única coisa que eu mais ou menos planejei foi mudar de casa. O resto simplesmente caiu na minha cabeça. Eu acho a vida meio parecida com aquela brincadeira do programa da Xuxa, que vc ficava na cabininha, com fones de ouvido, e tinha que responder se queria ou não trocar uma chupeta usada por uma bicicleta, sem de fato saber para quê estava dizendo siiiiiiiiiiim ou nããããããão. Então, foi mais ou menos isso.
"Você aceita trocar seu emprego em Alphaville, no qual você leva duas horas e meia para chegar e passa o dia com cara de pudim de pão esperando a morte chegar por um outro na avenida paulista, para fazer uma coisa que você não tem bem certeza se é capaz de fazer mas sua mãe disse que vc é?" - Siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim!
E daí eu fiquei feliz por estar morando onde queria e trabalhando onde mais queria ainda e comecei a dizer siiiiiiiiiiim pra todas as outras coisas. E pode ser chocante para vocês, queridos leitores, mas eu estou feliz de verdade. E nem sei dizer bem por que. Não é só por causa do emprego ou da casa ou dos amigos novos. E nem por tudo isso junto. A vida está longe de ser perfeita. Mas eu acho que estou descobrindo que gosto dela exatamente assim, da mesa virada mas sem espalhar muitos papéis.
quarta-feira, fevereiro 03, 2010
Nostalgias
Eu era um sujeito então perseguido pelas nostalgias. Sempre tinha sido, e não sabia como me livrar da saudade para viver tranqüilamente.
Ainda não aprendi. E desconfio que nunca vou aprender. Mas pelo menos já sei uma coisa valiosa: é impossível se livrar da memória. Você não pode se livrar daquilo que amou.
Isso tudo vai estar sempre com a gente. Sempre vamos desejar recuperar o lado bom da vida e esquecer e desnutrir a memória do lado mau. Apagar as perversidades que cometemos, desfazer as lembranças das pessoas que nos magoaram, eliminar as tristezas e as épocas de infelicidade.
É totalmente humano, então, ser um nostálgico, e a única solução é aprender a conviver com a saudade. Talvez, para a nossa sorte, a saudade possa se transformar, de uma coisa depressiva e triste, numa pequena faísca que nos impulsione para o novo, para nos entregar a outro amor, a outra cidade, a outro tempo, que talvez seja melhor ou pior, não importa, mas será diferente. E isso é o que todos procuramos todo dia: não desperdiçar a vida na solidão, encontrar alguém, entregar-nos um pouco, evitar a rotina, desfrutar a nossa parte da festa.
Eu ainda estava assim. Tirando todas essas conclusões. A loucura me rondava e eu escapulia. Tinha sido coisa demais em muito pouco tempo para uma pessoa só, e saí por dois meses se Havana.
Pedro Juan Gutiérrez, minha mais nova paixão, em “Trilogia Suja de Havana”
Roubado do delícia Don't Touch My Moleschine
terça-feira, janeiro 26, 2010
É 10, Brasil!
Tenho prestado mais atenção nas propagandas do que no programa propriamente dito. E acho que os anunciantes estão bobeando fortemente, perdendo grandes oportunidades de marketing. Veet Cera Fria, por exemplo. Podia fazer fortunas com Angélica lá dentro. Daqui a pouco a moça começa a enrolar as pontinhas daquela imensa bigoda.
Points é outro que tinha a chance de fortalecer a marca demonstrando em Tessaralha como é simples tirar uma verruga, ainda que imensa, com sua avançada tecnologia. A stripper podia ser usada pra testar cremes pra olheira (e se funcionar nela, eu pago a fortuna que for pra adquirir), a Tok Stok podia fazer Michel de garoto propaganda.
Mas não, preferem ficar mostrando Activia, sendo que intestino preso é mote de outro programa.
Cadê a Globo que não me contrata numa hora dessas? Ia triplicar os lucros em publicidade deles nesses 3 meses.
terça-feira, janeiro 05, 2010
Meio House
É normal que as pessoas se identifiquem com personagens de ficção, é desejável que isso aconteça e os roteiristas constroem os personagens para que isso aconteça. Eu me identifico com Rachel Green, Miranda Hobbes e Dexter Morgan, por exemplo. Tá cheio de Sheldons e Chandlers por aí.
Acontece que House despertou um fenômeno que me desagrada: o fenômeno do jumento sem noção. Você certamente conhece um exemplar, porque eles estão em toda parte.
O jumento sem noção é um babaca, sem um pingo de educação e só. Geralmente sua inteligência beira o zero, mas ele acha que responder com grosseria é sinônimo de brilhantismo. A cereja do bolo é justamente ele se auto-definir como "um cara meio House".
Peguei um desses pela frente outro dia. Ele começou a contar que odiava pessoas, que toda a humanidade era estúpida e deu um exemplo de uma funcionária que perguntou qualquer coisa e ele respondeu que, se ela não tinha inteligência suficiente para entender a tarefa, não devia se meter a fazer. E terminou a história dizendo: "porque eu sou meio House, não tenho paciência com gente burra". Acontece que: 1. a menina não era nem um pouco burra. 2. ninguém gosta de gente burra, mas todo mundo gosta de respeito. 3. a vida real é bem diferente da ficção. Fiquei sabendo depois que ele foi demitido recentemente e ainda não achou outro emprego.
E espero que não ache. Usar House para justificar a própria incompetência e falta de respeito é baixeza, falta de criatividade e, principalmente, uma tremenda sacanagem com meu personagem favorito. Tenho certeza que todos esses caras seriam extremamente gongados pelo House original, eterno e único.
Fora que o House é meio que nem o Homer Simpson, né? A gente adora ele lá, na TV. Mas ter um por perto na vida real é um porre.
quarta-feira, dezembro 23, 2009
2009 valeu a pena
David after dentist (0u, o filho que eu quero ter)
Pedro, o chip e o por que de nunca irritar uma bêbada
Vanusa e o hino
Ione no shopping
E o melhor de todos: Total Eclipse of the heart como deve ser
Feliz natal e a gente se vê em 2010!
sexta-feira, dezembro 04, 2009
Bode preto
E quanto mais eu odeio a humanidade, mais eu gosto dos meus amigos, essa gente ruim, de coração preto e peludo que entende a piada. Se não fosse por eles, sei lá. Acho que eu fazia a Leila.