Quinta-feira, Novembro 19, 2009

Lar

Oi, ainda tem alguém aí ainda??

Eu já tive dezenas de casas. Já perdi a conta de quantas vezes me mudei. Mas, até hoje, nunca tive a MINHA casa. Foi sempre a casa onde eu morava com outras pessoas – pais, namorados, amigos. E foi bom, sempre. Mas sempre existiram coisas que eu não podia fazer, por causa das regras de convívio.

E sempre existiu um predinho de tijolos em Pinheiros. Na frente do qual eu passei, pelos últimos 5 anos, e suspirei, pensando: “queria tanto um dia poder morar aqui”. Mas eu sou pessimista né? Meu copo não está só meio vazio, ele está seco e esturricado. Então era um pensamento que nem chegava a ganhar forma. Afinal, como eu poderia morar ali? Devia ser grande, devia ser caro, devia ser para outras pessoas que não eu. E fui morar em outros lugares.

Daí a vida deu lá suas cambalhotas e lá fui eu procurar apartamento de novo. Pela internet, com toda a descrença que eu tenho nesse serviço. Achei três e liguei mal-humorada, já esperando ouvir o monótono “já foi alugado”, tão comum nos anúncios online lá em Curitiba. Os três estavam disponíveis.

Numa manhã senegalesa de sábado, calcei meus tênis e fui lá examinar pisos, encanamentos e carpetes – coisas nas quais já estou craque, de tanto que fiz ultimamente. O primeiro deles era na rua do predinho. Fui andando, a numeração baixando e o predinho se aproximando. Passei diante do predinho e nem conferi o número, mas no prédio seguinte a numeração já era maior. Mas heim? Voltei, olhei pro outro lado da rua e pro prédio vizinho à esquerda. Mas nunca para o predinho.

Daí o corretor me encontrou. “Tá perdida?” e foi entrando no meu predinho. Eu fiquei parada na calçada, até ele chamar, esperando o Sergio Malandro sair de trás da banca de jornal e dizer “Rá” e dar um chute nos meus sonhos destruídos.

Não só ele não saiu como o predinho cabia no meu orçamento e tinha uma sacada gigantesca, cheia de sol, e armários embutidos e um chão bem fácil de limpar. Ainda assim, havia toda a burocracia pela frente, documentos para aprovar, fiador para aceitar... Uma infinidade de coisas que poderiam dar errado. Guardei meus sonhos saltitantes no fundo do peito e dei entrada no processo.

Quatro dias depois estava com tudo aprovado e o corretor me cobrando pra ir buscar as chaves do MEU PREDINHO. Isso foi ontem. Até agora estou meio em choque, sem entender direito que conjuntura astral fez isso com a minha sorte e encheu meu copo de suco de morango. Hoje vou tomar um porre e abraçar meus amigos e dizer que considero-os pra caralho e chorar de alegria pra ver se cai a ficha.


Mas acho que é normal. Eu não estou acostumada com a felicidade e ela se parece um pouco com um sapato novo que se usa pela primeira vez, parece que não cabe direito. Além disso, não é todo dia que a fada madrinha aparece assim e realiza o sonho da irmã má da Cinderela. Mas assim que o sapato lacear e eu aceitar que a carruagem não virará abóbora, darei um festão pra vocês todos verem que meu predinho é mesmo lindo. \o/

Segunda-feira, Outubro 12, 2009

É que a televisão me deixou burra, muito burra demais

Antes quero esclarecer que amo a TV sobre todas as coisas. Mas preciso admitir que ela me deixou muito burra demais mesmo. Só que a culpa não é dela, que só fez o que devia fazer: distribuir felicidade e amor. A culpa é minha, que acredito nela tão cegamente.

Porque veja, tá tudo errado. Todas as minhas expectativas e anseios se baseiam em estereótipos que só existem na cabeça de roteiristas que ganham muito dinheiro pra inventar universos perfeitos. E por isso, é claro, eu acumulo 30 anos de frustrações. De que outra forma poderíamos explicar que até hoje eu sinta um certo ressentimento por nunca ter encontrado o brinquedo que me levaria à caverna do dragão ou uma concessionária que venda uma limusine com piscina? E que eu ainda sonhe com uma casa no meio da praia como a do Gaspar?

Certo, talvez esses ressentimentos não afetem tanto minha vida adulta. A gente segue em frente. Triste, desiludido, mas segue. E continua a cometer os mesmos erros. Senão vejamos.

Temos aí o Vampiro Bill. Ele é lindo, ele é sexy, ele é rico, ele é imortal. Ele é moreno, alto, doce, viril e capaz de dizimar uma cidade inteira para salvar sua amada. Todas querem ser seu coçador de gengivas particular. Mas né? Vampiros não existem, eu posso lidar com isso. Mas mortais morenos, altos, doces, viris e capazes de dizimar uma cidade inteira para me salvar também não existem e daí eu fico lidando com uma realidade muito abaixo do meu padrão.

Ok, então não usemos uma porra de um vampiro como padrão de relacionamento e deixemos este amor platônico apenas no mundo da fantasia. Sejamos mais realistas e tentemos novamente.

Jim Halpert. Ele é bem normal, ele é bem possível. Sim, ele é lindíssimo e mais alto do que a média dos brasileiros. Mas, fora isso, é um cara bem normal, que usa camisa de manga curta, gravata, tem um chefe chato, mata o trabalho, tem medo de ser demitido. Ele é tão normal que você tem certeza que conhece alguém como ele. E é aí que mora a pegadinha do Mallandro. Jim sempre sabe o que dizer para sua amada. É engraçado, doce, meigo e viril e capaz de gastar um dia inteiro atormentando um colega apenas para fazê-la rir. Não enche o saco dela, não tem crises de ciúme, não acorda de mau-humor, não reclama da bagunça nem do sapato novo que ela comprou nem dos amigos dela, não é grudento nem piegas. E é lindíssimo, eu já disse isso a vocês? Jim é o homem perfeito. Só que Jim também não existe fora da Dundler Mifflin. Meu cérebro sabe disso, mas meu coração não sabe e se mantém apaixonado e fiel a ele e não aceita ninguém menos do que ele. Ou até aceita, mas cheio de ressalvas. A cada contrariedade imposta pela vida real, ele resmunga: "o Jim não faria isso com você jamais". Meu coração é um idiota.

Mas eu sinto que você ainda está achando meus padrões muito altos. Então tá: Chandler Bing. Magro, inseguro, baixinho, dono de uma masculinidade duvidosa. Usa colete e calças caqui. Loser. Pois eu me vejo passando longos e felizes anos ao lado dele, com dois filhos e alguns gatos. Porque esses detalhes não têm a menor importância quando se está falando da pessoa mais engraçada e sarcástica de toda a galáxia e para quem as adversidades são um charme. Que consegue conviver com uma mulher que grita mais que feirante (aliás eu sempre achei que ele fez uma péssima escolha casando com a Mônica, que é uma baita castradora e que queria apenas alguém capaz de lhe dar filhos. O que, a propósito, ele não era). Mas cadê que ele é possível? Cadê ele aqui no mundo de gente como a gente?

O roteirista da minha vida deve ser estagiário, é só isso que eu digo.

Quarta-feira, Outubro 07, 2009

Meninos, meninas

A prova incontestável de que este blog respira por aparelhos e de que só o mantenho por dó de terminar o meu relacionamento mais longo e fiel é a minha incapacidade de escrever qquer coisa que preste. Não que um dia tenha prestado, mas antes eu me dedicava. Pensava sobre, construía idéias. Agora eu coloco dois ou três posts que ficaram grandes demais pro twitter. Com muito custo. E daí eu leio o que publicam por aí e fico pensando "mas era exatamente isso que eu queria dizer". Mas não tive o talento, ou tive preguiça ou esqueci o que ia dizer porque fui cuidar das vacas no Farmville. E fico feliz em roubar o talento dos outros e colocar aqui pra eu não me esquecer mais que às vezes vale a pena um esforcinho. Sem mais, duas coisas que eu sempre quis explicar mas nunca soube como:

Direto do espelho
"Nunca me enquadrei nos padrões físicos-sociais-morais-culturais atribuídos normalmente às mulheres. Nunca quis me casar, tenho dúvidas sinceras sobre a maternidade, amor e sexo não formam uma única entidade, sou independente, não gosto que paguem minhas contas ou me abram portas. Uma pitada de agressividade no temperamento, a falta de jeito com o papel feminino nos jogos da vida e a ausência de limites no que digo sempre afastaram as meninas de mim. Por outro lado, os meninos, superado o medo inicial, se aproximavam, entravam na minha vida para valer, independente da motivação inicial dessa aproximação.

Sempre invejei a cumplicidade e a fidelidade masculina, a diversidade de assuntos, o pensamento carteziano, a ausência de drama, a discrição. Na descrença de encontrar tais características em garotas comuns, na falta de paciência com os tititis tipicamente femininos, me cerquei da amizade masculina durante praticamente toda a vida. A exceção sempre foram meninas que, por outros motivos, também não eram totalmente aceitas nos clubes de luluzinhas."

Da moça que não tem nada de clichê
"Eu sou menina e adoro usar rosa. Eu sou menina e não espero que me liguem no dia seguinte. Eu sou menina e não faço a menor questão de dormir de conchinha. Eu sou menina e faço questão de pagar minha parte na conta. De qualquer conta. Mesmo que eu tenha sido convidada. Eu sou menina e quero casar. Mas não de branco e não na igreja. Eu sou menina, não sou princesa. Eu sou menina e acho que quero ter filhos. ... Eu sou menina e não gosto de machismo. Em homem e em mulher. Eu sou menina e tenho pavor da expressão "mal amada". Eu sou menina e faço cara feia quando alguém diz "isso é falta." Eu sou menina e falo palavrão. Eu sou menina e queria não ouvir gracinhas quando uso roupa curta. ... Eu sou menina e faço as unhas toda semana. Não saio sem maquiagem. Uso sapatos que machucam meus pés, só porque são bonitos. Uso brincos. Eu tenho vergonha disso, um pouco. Eu sou menina e não aceito quando alguém diz que não existe amizade feminina. Eu sou menina e não gosto de competição. Eu sou menina e sou péssima em esportes. Eu sou menina e gosto de meninos. Eu sou menina e acho que a vida é mais fácil pros meninos. Eu sou menina e tenho voz de menina. Eu sou menina e sei cozinhar. Eu sou menina e carrego minha própria mala. Mesmo quando são duas e cada uma pesa 30kg. ... Eu sou menina e sei que goiaba é diferente de salmão e diferente de rosa pálido. Eu estou falando de cores. Eu sou menina e gosto de beber. Eu sou menina e uso vestido. Eu sou menina e acho que vestido é uma roupa injusta. Eu sou menina e gosto de futebol. Eu sou menina e gosto de espaço. Eu sou menina e não sou ciumenta. Eu sou menina e nada pontual. Eu sou menina e poderia falar disso sem parar."

Amo demais.

Sexta-feira, Outubro 02, 2009

A vida como ela é

Eu estava pensando em como contar pra vocês sobre o meu mais novo vício, Miss Bimbo. Mas daí ela já contou tudo que há pra saber.

Esse universo onde minhas únicas preocupações são me vestir melhor que todo mundo e passar no curso de cabeleireira é tudo que eu sempre sonhei. Botar peito, tirar peito? Bastam dois minutinhos. Aqui, namorar o Johnny Depp é um sonho possível, bem como pular da carreira de padeira diretamente pra de advogada.

Essa coisa de poder me reinventar diariamente - ainda que por meio de uma bonequinha virtual ubbergostosa - está fazendo meus dias muito mais leves, enquanto a realidade não chega.

Vai lá, vira minha amiga e me garante 500 bimbo dolars. Johnny te espera.

Ps.: Mas já aviso que a galera que vota nos duelos Fashion não tem o mínimo bom gosto.

Quarta-feira, Setembro 30, 2009

Dona SP

Todo dia eu ouço alguém reclamando de São Paulo. Mas todo dia eu encontro um amigo que voltou pra cá desesperado de saudade, largando carreira, salário milionário, iates e mulheres para trás. Por que será? Será que é só bairrismo ou isso aqui vicia mesmo?

No meu caso, eu sentia tanta falta da cidade quanto das pessoas, como se ela mesma fosse uma pessoa. E se fosse, seria aquele tipo chato de conviver: temperamental, confuso, com mania de grandeza, meio cruel e indiferente. Daqueles que você conta seus problemas chorando sangue e a pessoa caga e anda.

Mas seria também daquele tipo que, quando ninguém está olhando, te dá um presentinho, faz um cafunezinho e te chama de princesa. Do tipo que você não consegue ficar longe porque ela está sempre te surpreendendo, te levando pra lugares incríveis, fazendo você rir e se sentir o mais singular do mundo. Às vezes muito feia, outras a mais linda que você já viu.

Isso era pra ser um post de três linhas só pra tentar entender que tanta graça nós vemos em SP, e acabou virando mais uma declaração de amor. É um caso perdido, mesmo.

Quarta-feira, Setembro 23, 2009

Se nada mais der certo

Sempre me incomodou muitíssimo não ter um talento secundário pra explorar caso nada mais dê certo. Sabe aquela coisa de "se nada mais der certo, eu vou vender coco na praia"? Eu não sei fazer mais nada além daquilo que me formei pra aprender a fazer e correlatos. Não posso pensar em vender nada na praia porque sou péssima comerciante, tenho vergonha de cobrar o justo, como o estoque inteiro, fico com preguiça e quero ir tomar banho de mar...

Mas todo mundo parece ter um plano B. Como a minha amiga Lizandra, que sempre disse que se nada mais desse certo, viraria taxista. Mas acabou virando roteirista e sopeira. E olha que o plano A dela nem deu errado. Ou o Sassê, que pode virar pintor ou professor de esperanto, ou a Casé, que pode virar sushi girl ou motogirl. Enfim. Todo mundo tem talentos secundários, menos eu.

Mas isso acaba de mudar. Se nada mais der certo, eu viro cozinheira. Eu já sabia que a minha receita de rabanadas era a melhor do mundo. Agora, acabei de inventar o melhor arroz doce do mundo. É óbvio que comi a panela toda, mas estamos em fase de testes, então ninguém pode me recriminar por isso. Eu preciso garantir a qualidade do produto. E eu GARANTO que ninguém nunca comeu um arroz doce desse tipo, do tipo fruto proibido. E graças a eles dois, se nada mais der certo, eu não precisarei vender um rim ou me prostituir.

Ok, não é um cardápio mega variado. Não é que eu seja assim uma cozinheeeeira, nossa, quantos pratos ela faz. Mas já é um começo, né? Já é algo pra eu me agarrar. No mínimo, se nada mais der certo e eu ficar pobre, sozinha e enrugada, prontinha pra ser devorada pelos gatos, já poderei esperar por isso na companhia de comidinha gorda e boa.

Segunda-feira, Setembro 14, 2009

Eu fico com a beleza da resposta das crianças

Matheus, 10 anos:

"Sua roupa é que é estranha ou você está um pouco gorda mesmo?"

Matheus, 10 anos, um pouco mais cedo:

"Por que você está passando esse negócio preto no olho?"

Eu: "Pra ficar bonita, oras"

"Mas então por que você não fica?"

JAMAIS terei filhos. Nunquinha. Basta eles começaram a falar pra eu me atirar no poço.

Sexta-feira, Agosto 21, 2009

So why you can't be in mine?


Segunda-feira, Agosto 10, 2009

Rogerinho vai pra balada

Você sai de casa animado e perfumadíssimo e vai pra balada muito contente, sabendo que seu Avanço vai durar até o fim da noite! Logo que chega vc já pede logo três vozes de dodka pra comemorar, cujo gosto agora você vai aproveitar melhor, já que não tem mais aquela fumaça nojeeeeeeeenta no ar.

Terminado o segundo trago, tenta puxar a trança da mina ali na frente pra tascar-lhe um beijo não requisitado, mas sua mão escorrega no Kolene do cabelo dela. Você dá uns tapinhas no ombro do garçom pra tirar a meleca da mão, mas fica puto porque não conseguiu pegar a mina, então manda logo oito cervejas pro bucho pra esquecer. Daí vc fica feliz de novo e resolve ir dar umas bandas na pista e esbarra nuns quatro pelo caminho, mas o azar é deles, quem mandou ficar parado ali no meio? Pista de dança é pra circular. Chega na pista e sai causando, passando mão na bunda, puxando cabelo, beijando cangotes como se não houvesse amanhã. Você é o rei da noite no ar puríssimo da balada. O décimo oitavo cara em quem você esbarra não fica tão feliz quando você derruba cerveja na camisa dele e vai pra cima, e você vai pra cima e começa aquele auê. Os seguranças da casa vêm e te dão um pito. Quem eles pensam que são pra falar assim com o rei da noite, eles sabem com quem estão falando?

Você exige falar com o gerente, mas ele é um bunda, que diz que não vai poder fazer nada e que o senhor está claramente bêbado, deveria tomar uma água. Então você diz que se você bebe o problema é seu, você não tá mijando na cabeça de ninguém, tá? Não tá vomitando no pé de ninguém, tá? Eles deviam estar fiscalizando se não tem nenhum fumante escondido no canto jogando essa fumaça nociva e fatal nos outros inocentes, em vez de estar lá, aborrecendo um cidadão de bem, que foi claramente agredido por outro e que não fez nada, absolutamente nada. Os seguranças pedem que você se retire.

No caminho pra casa, você atropela um cachorro, opa, é a malvada fazendo efeito. Ainda bem que a lei do bafômetro não pegou, vc pensa bem feliz, enquanto desvia dos adolescentes que estão atravessando na faixa e acelera para furar o farol vermelho. Aquele trecho é cheio de assaltante, se bobear aqueles moleques estavam ali só esperando pra te roubar mesmo. Será que eu volto é passo por cima? Afinal, bandido bom é bandido morto! Mas foda-se né, você paga o salário da polícia embutido naquele monte de impostos... Se bem que você na verdade nunca pagou imposto nenhum, pensando bem, já que declara bem menos do que recebe. Tem que ser muito otário pra pagar esse tanto de imposto que cobram da gente, né não?

Chegando em casa você jura pra si mesmo que nunca mais vai naquela porcaria de bar, que desrespeito com o cliente, justo você que bate ponto lá toda semana. O ódio cresce mais e mais no seu coração e daí você se lembra que no mês passado você foi lá com aquela loira gostosa do RH que fumava feito uma chaminé mas tinha um belo rabão e que naquele dia você até filou uns 3 cigarros dela, porque todo mundo dá um traguinho quando bebe, né? O que não faz de você um fumante, fumante é um bicho nojento, um viciado sem força de vontade que nunca vai ser nada na vida. Mas não tem mal nenhum em dar umas tragadinha pra impressionar as minas. e a loira ficou super bem impressionada. Ela tirou um monte de fotos de vocês juntos pra botar no orkut. E então a idéia se forma lindamente. Aquele bar nunca mais vai se meter a besta com você, porque você é MUITO esperto. pega a foto de um mês atrás da loira dando uma bela baforada no Marlboro mentolado, escaneia a notinha fiscal e manda tudo pra patrulha anti-tabaco do governo do Estado, dando o nome do bar e a data de hoje. Você é MUITO esperto e vai dormir muito feliz, porque sabe que vive em um Estado livre de poluentes e que apoia e protege os cidadãos de bem como você. Se os fumantes quiserem se matar, que se matem sozinhos, né não? Inclusive a loira do RH, cujo rabão você já conferiu e, como figurinha repetida não completa álbum, não vai te fazer falta alguma.

*Escrevi revoltadinha com a lei, um dia antes dela entrar em vigor. Depois de ler os mais absurdos comentários num fórum da Folha Online, que me fizeram desejar que a tal onda gigante que vai acabar com a humanidade em 2012 seja mesmo uma realidade. Na verdade meu problema não é com a lei. Saí no final de semana e não foi tão ruim, acabei até socializando mais com outros excluídos e etc. Eu acho que ela até faria bastante sentido, não fossem os exageros e o estímulo à intolerância. Meu problema é um bando de bundas-moles idiotas ficarem me olhando com ar de superioridade só porque eu fumo e eles não.

Segunda-feira, Julho 27, 2009

Coisas que eu não entendo

Bota-sandália
Bota-sandália enquanto calçado de frio
Bota-sandália enquanto calçado de calor
Pessoas que assistem musicais por livre e espontânea vontade
Teatro, porra
Os filmes do David Lynch
Os nomes Alvus Severus e Renesmee (alô periferia na literatura?)
Arte nas unhas
A diferença entre luzes e balaiagem
Calças saruel
A genialidade de Glauber Rocha
Contratos imobiliários
Meu extrato bancário
A utilidade de discutir a relação
Gente que NÃO tem medo de zumbis. Quando eles atacarem, não contem comigo para defendê-los. É cada um por si, dae.
Gente que não perde o sotaque nem por um caralho
A perseguição aos fumantes
Quem não gosta de Harry Potter
Quem não gosta do Ryan Reynolds
Quem gosta de micareta
Quem prefere ficar três horas na fila para entrar numa boate, passar um tempinho lá dentro fazendo passinhos de dança, lançando olhares, gritando pra ser ouvido, fazendo a dança do tranca-coxa enquanto espera vagar uma privada, ficar mais três horas na fila pra pegar e ir pra casa fedendo a CC e cigarro à ficar em casa vendo DVD ou jogando videogame.
Medo de gato.
Protestos virtuais
Rodinhas de violão
Dobradinha

E mais umas 400 coisas que só me lembro quando não tenho papel à mão.

Sexta-feira, Julho 24, 2009

Brincadeira séria

Ela postou o link, eu amei e replico:

"Faz de conta que você morreu. E que alguém lhe deu a oportunidade de voltar para um terceiro tempo.

Então. Agora vai lá e faz tudo de verdade."

Digo que estou de acordo 100%. É claro que vou tentar virar a mesa sem espalhar muitos papéis nem deixar muita bagunça, porque bagunça de mesa virada me dá nos nervos de um tanto. Mas ainda assim, é chegada a hora de começar a escrever o capítulo 3 da minha vida.


Quinta-feira, Julho 16, 2009

Mudança de paradigmas ou nocaute

Eu tenho esse blog há nove anos. É o meu relacionamento mais longo e fiel. Nesse meio tempo muita gente veio e foi, conheci e adorei algumas, sempre quis conhecer outras. Mas né. Eu sou uma cética horrorosa e má. Eu odeio a humanidade e eu não acredito nas pessoas.

E por mais que o mundo esfregue na minha cara que desconfiar dos relacionamentos virtuais é coisa de véio, eu continuo desconfiando. Amigo de internet? Ah, vá. Coisa mais loser.

Só que loser, meu amigo, sou eu, que insisto nesses paradigmas. Porque se for ver, eu tenho alguns amigos virtuais desde a época que o blog começou. Que passaram da caixa de comentários pro email, do email pro msn, do msn pra mesa do bar. Tempo bagarai. São poucos os amigos "reais" de tanto tempo assim.

Pois bem. Hoje aconteceram coisas bizarras e ruins relacionadas a dinheiro. E eu fiquei o dia decidindo se me prostituía ou cortava os pulsos. Eis que um desses amigos virtuais se prontifica a me ajudar. O cara nunca me viu na vida. Nunca nem falou comigo pelo telefone, embora me conheça melhor que um monte de gente que almoça e janta comigo, pelo tanto de tempo que passa lendo as bostas que eu posto aqui.

Ninguém pode imaginar o tamanho do meu choque. Ninguém. Como assim um gesto de desprendimento desse tamanho, como assim alguém confia que eu não sou uma picareta sem nunca ter me visto? Esse tipo de coisa não existe, eu nunca soube. Só família faz isso, e geralmente é meio que por obrigação.

Eu estou assim, meio sem ar, meio sem jeito, meio com vergonha de mim mesma, de ter passado esses anos todos achando que o mundo não vale nada e que confiar nos outros é pedir pra se foder. Eu perdi um puta tempo na minha vida. Quanta gente será que eu não deixei pelo caminho achando que não valia o esforço, que era tudo um bando de féladaputa?

Na verdade eu nem sei explicar direito. É uma mudança muito enorme. E é a terceira vez essa semana que a humanidade me mostra que presta sim, e muito. Pode até ser que esse blog finalmente morra. Porque agora eu vou falar do que? Do meu amor pelo Magno, pela Stella e pela Ana?

Eu nem sei. Vou sair tomar um ar e me recuperar do choque. Muita informação pra digerir.

E Magno, cara, obrigada muito. Não pela oferta, mas por ter me mudado. POrque acredite, cara, vc fez o que cinco anos de terapia não fizeram. Tem dinheiro que pague isso, não.

PS.: Enquanto isso, coleguinhas, super aceito frilas, ok? Porque é óbvio que eu não vou aceitar o dinheiro suado do Magno.

Segunda-feira, Julho 06, 2009

Vão-se os anéis, os batons, o rímel

Fui assaltada pela nonagésima vez neste sábado. Isso é tão corriqueiro que nem merece um post. Passado o período de lágrimas e rancor pela bolsa amarela, a carteira azul e o celular rosa que se foram, eu prefiro always look on the bright side of life.

E por bright side of life eu quero dizer maquiagens novas. Faz tempo que meus dedinhos coçam de desejo de me jogar em batons, bases e sombras, mas como eu carregava uma tonelada disso na bolsa, a culpa católica sempre me assombrava. Agora, meus problemas acabaram (assim como as maquiagens).

Mas fica a dica pras coleguinha aí de casa: bolsas são descartáveis e podem ser levadas a qualquer momento. Portanto, a menos que você seja muito desapegada, não seja imbecil como eu de carregar seu batom Mac e seu gloss Lancôme na necessaire. Deixe-os bonitinhos em casa e recheie a bolsa com Vult, Tracta e Maybelline (pegue as avaliações todas no maravilhoso VnF). Afinal, as maquiagens de bolsa são para retocar durante o expediente, dar uma arejada antes do happy hour, nada que mereça uma super produção. E se acontecer de levarem suas coisinhas, com vintão você compra tudo de novo e tá linda, sem choro nem vela.

É claro que eu quero recomprar minhas maquiagens de rika (tinha um batom Yves Saint Laurent que só de olhar pra embalagem dourada eu já me sentia uma imperatriz. Da cor e da textura mesmo eu nem gostava muito, confesso). Mas agora só quando algum amigo de fé irmão camarada der uma paradinha no free shop por mim. Vou chorar na cama que é lugar quente e torcer muitíssimo para ter algum tipo raro de herpes assassina que não se manifesta em mim, apenas em ladras que usam maquiagem roubada.

Ah, e tem outra pollianice em ser assaltada: a impossibilidade de gastar dinheiro. Porque a gente cancela os cartões todos e fica 15 dias à mercê do banco. E o meu não é dos mais competentes. Então, por 15 dias eu viverei exclusivamente da bondade de estranhos, sem poder fazer nenhum mal à minha já tão sofrida e anoréxica conta. Talvez eu aproveite esse período pra aprender a viver apenas com o essencial. Ou seja: maquiagens Vult, Tracta, Maybelline...

Terça-feira, Junho 30, 2009

O problema em ser CDF

é que a gente não se contenta em simplesmente ir lá e fazer a coisa. Tem que cuidar de todo o entorno e é ISSO que dá trabalho. E nem estou falando de tarefas, de trabalho. É de tudo. Se eu gosto de uma música, por exemplo. Eu tenho que saber de que banda é. Daí eu baixo o álbum e gosto. Daí eu tenho que baixar todos. E saber a biografia de todos os integrantes e as letras das músicas e em que comerciais ela toca e que modelos eles namoram e etc. Filme então, nem se fala. Imagina a logística de decorar a filmografia de todos os atores e diretores, saber se são republicanos ou democratas e fazer o top 5 de cada um. Se for inspirado em livro, tem que ler o livro, e as vezes o livro é bom e então eu quero ler todos do autor e a coisa nunca tem fim. Não é à toa que eu nunca fiz uma pós-graduação.

Agora eu inventei de ir pra academia, porque outro dia me deram o lugar de gestante no ônibus. Eu aceitei, é claro, mas chorei em silêncio e sem lágrimas diante da dignidade perdida. Mas não basta ir à academia, preencher as fichas todas, fazer a merda da avaliação física que já quase te mata ali mesmo e ir bela e faceira se dobrar em cima da bola (no pun intended) na aula de Pilates. Ah se fosse tão fácil.

Tem de comprar roupa de ginástica. Mas não pode ser coladinha que eu não to indo pra academia pra ficar de sem-vergonhice não senhor. Mas roupa muito folgada enrosca nos aparelhos e você sua feito uma camela no cio. E não pode ter estampas de nenhum tipo e tem que custar menos de R$ 100,00 porque eu prefiro gastar meu salário em Melissas. Faz duas semanas que estou procurando e ainda não achei nada que não me fizesse vomitar.

E tem que comprar tênis, porque as acadêmias e o meu joelho não aceitam que eu me exercite de All Star. Tênis de ginástica são obrigatoriamente horrorosos e fazem com que eu me sinta pobre. Não tem glamour, não tem cheirinho bom e tem sempre algum detalhe prateado. Odeio. Quero fazer ginástica de Melissas.

E tem a comida de academia. Eu não consigo me imaginar indo pra academia depois de jantar bife a milanesa com purê de batatas. Academia combina com barrinha de cereais, cereais matinais, frutas e alface. Então eu preciso montar um cardápio composto exclusivamente disso. E comprar uma mochila pra carregar isso comigo o dia todo.

Vocês conseguem perceber a imensa dificuldade da coisa? Quanto dinheiro será aplicado em algo do qual eu provavelmente vou enjoar em dois meses (a quem estou querendo enganar, eu vou enjoar em duas semanas).

Acho que vou desistir. Pensando bem, não é tão ruim ter lugar garantido no bumba, mesmo que às custas da minha dignidade. Eu já não tinha muita mesmo antes disso.

Terça-feira, Junho 23, 2009

Vida congelada

Nego critica os pobres eminhos que enchem seus fotologs (ainda existe flogão??) e orkut de autofotos e bota a culpa nas câmeras e na inclusão digitais. Claro que minha cara derrete de vergonha também, mas eu amo as cameras e a inclusão digitais e as autofotos. Eu tiro milhares de autofotos que fariam sua cara derreter de vergonha também.

Eu gosto de congelar os momentos todos. Tiro foto de tudo, da roupa nova, da maquiagem bonita, da maquiagem cagada, da casa arrumada ou desarrumada, das flores, do cocô de cachorro que parece uma arroba. A diferença de mim pros eminhos é que eu não tenho flogão e guardo a maioria dessas imagens só comigo.

Antes, a gente não podia fazer isso. Porque câmera custava caro, filme custava caro, revelar o filme custava caro. Eu tenho tipo 3 fotos da minha infância. Não sei se meus filhos serão belos porque não sei se fui um bebê bonitinho. E isso me dói. Eu tenho lua em câncer e me agarro ao passado com um desespero fora do comum. Gosto de ver, pegar, cheirar, chorar em cima do que não volta nunca mais. Por isso congelo tudo em milhares de fotos.

Pra ver cada ruga nova, pra lembrar de um olhar azul que me encantava, pra saber qual cor vai bem com qual, para rir de novo do que aconteceu ha tanto tempo. Mas principalmente porque tudo isso me faz ter vontade de tirar fotos novas. E para isso é preciso viver.