Momento Descontrol
quarta-feira, janeiro 04, 2012
Filosofia
Preferir a minha própria companhia à de outras pessoas: muita auto-estima, fobia social, rabugice ou egoísmo?
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sábado, dezembro 31, 2011
quarta-feira, dezembro 21, 2011
I do!
Há pouco mais de um ano, discorri sobre todo meu horror quanto a ser uma esposa. E daí eu casei. De verdade, no cartório, com festa, com vestido branco (na verdade Off White com Pink), com buquê, com votos, lágrimas, dia da noiva e tudo o mais que manda a tradição. Não teve padre e eu entrei ao som de Flaming Lips, mas ainda assim foi um casamento, não resta dúvida.
Durante toda a vida, defendi que apenas o amor bastava para que duas pessoas ficassem juntas e que elas só devem permanecer juntas enquanto estiverem felizes. Se um dia isso acabar, basta cada um seguir seu rumo. Eu ainda acredito nisso tudo. Mas hoje eu acredito também que o mundo mudou pra melhor no que diz respeito a relacionamentos.
As mulheres da geração anterior à minha precisaram brigar muito pelo direito de ser vistas como pessoas inteiras, independente de ter ou não um homem ao seu lado, de poder fazer sexo quando e quanto quisesse, com ou sem compromisso, com ou sem satisfações, de ser reconhecida profissionalmente. Eu não acho que a briga está ganha, a gente ainda precisa muitas vezes lembrar ao mundo que temos valor, sim. Só que hoje a gente não tem mais medo de lembrá-lo disso sempre que precisamos.
E essa geração anterior à minha, além de toda a revolução sensacional que proporcionou a nós, mulheres, criou filhos. Homens bem melhores do que aqueles pelos quais foram criadas e até com os quais se casaram. Eu sou uma fã incondicional dos homens de hoje, acho-os tão fantásticos que sempre me sinto meio esquisita quando vejo as amigas reclamando deles. Tudo bem, eles são meio confusos, meio deslumbrados com o excesso de possibilidades do mundo, meio infantis, mas, ainda assim, são todos tão extremamente cheios de sentimentos, cheios de consideração, respeito e humor! Amigos, companheiros, confidentes, parceiros de verdade.
Para as nossas mães, avós e bisavós, o casamento nem sempre era uma escolha e muitas vezes não tinha final feliz. O divórcio é quase uma novidade para as brasileiras, lembram? E a coragem pra assumir a vida, o trabalho e os filhos sozinha, para quem foi criada para cuidar da família e do lar? Hoje pega até mal quando alguma menina diz que quer “casar bem” pra poder ficar em casa cuidando das crianças.
A gente vai pra rua cedo, faz a vida, constrói a independência emocional e financeira. Descobrimos que os caras legais existem, aos montes, nos apaixonamos, mas não temos mais nenhuma pressa. Vamos construindo juntos e o casamento é só um jeito delicioso de comemorar isso. Que acontece cada vez mais tarde, quando já temos maturidade e muito mais segurança em nossas certezas. E, ao contrário de antigamente, não é mais obrigação, essa é a beleza da coisa toda. Se não der certo, vocês dois sabem como seguir seus caminhos por conta própria.
Por isso eu adorei casar. Porque hoje é possível ser “nós” sem precisar jamais abrir mão do “eu”.
Durante toda a vida, defendi que apenas o amor bastava para que duas pessoas ficassem juntas e que elas só devem permanecer juntas enquanto estiverem felizes. Se um dia isso acabar, basta cada um seguir seu rumo. Eu ainda acredito nisso tudo. Mas hoje eu acredito também que o mundo mudou pra melhor no que diz respeito a relacionamentos.
As mulheres da geração anterior à minha precisaram brigar muito pelo direito de ser vistas como pessoas inteiras, independente de ter ou não um homem ao seu lado, de poder fazer sexo quando e quanto quisesse, com ou sem compromisso, com ou sem satisfações, de ser reconhecida profissionalmente. Eu não acho que a briga está ganha, a gente ainda precisa muitas vezes lembrar ao mundo que temos valor, sim. Só que hoje a gente não tem mais medo de lembrá-lo disso sempre que precisamos.
E essa geração anterior à minha, além de toda a revolução sensacional que proporcionou a nós, mulheres, criou filhos. Homens bem melhores do que aqueles pelos quais foram criadas e até com os quais se casaram. Eu sou uma fã incondicional dos homens de hoje, acho-os tão fantásticos que sempre me sinto meio esquisita quando vejo as amigas reclamando deles. Tudo bem, eles são meio confusos, meio deslumbrados com o excesso de possibilidades do mundo, meio infantis, mas, ainda assim, são todos tão extremamente cheios de sentimentos, cheios de consideração, respeito e humor! Amigos, companheiros, confidentes, parceiros de verdade.
Para as nossas mães, avós e bisavós, o casamento nem sempre era uma escolha e muitas vezes não tinha final feliz. O divórcio é quase uma novidade para as brasileiras, lembram? E a coragem pra assumir a vida, o trabalho e os filhos sozinha, para quem foi criada para cuidar da família e do lar? Hoje pega até mal quando alguma menina diz que quer “casar bem” pra poder ficar em casa cuidando das crianças.
A gente vai pra rua cedo, faz a vida, constrói a independência emocional e financeira. Descobrimos que os caras legais existem, aos montes, nos apaixonamos, mas não temos mais nenhuma pressa. Vamos construindo juntos e o casamento é só um jeito delicioso de comemorar isso. Que acontece cada vez mais tarde, quando já temos maturidade e muito mais segurança em nossas certezas. E, ao contrário de antigamente, não é mais obrigação, essa é a beleza da coisa toda. Se não der certo, vocês dois sabem como seguir seus caminhos por conta própria.
Por isso eu adorei casar. Porque hoje é possível ser “nós” sem precisar jamais abrir mão do “eu”.
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terça-feira, dezembro 20, 2011
Incontrolável
Há alguns meses eu venho sentindo uma
certa inquietação, que eu não sei bem de onde vem. Um comichão por dentro, me
pedindo: “escreve, escreve, escreve”. E eu pergunto: “mas escrever o que?” “Sei
lá, só escreve”. Então eu sento pra escrever e você pode ouvir o farfalhar das
bolas de feno rolando dentro do meu cérebro. Nem um bilhete. Nem sequer um post
pro blog, coitado.
Ando com três diferentes cadernetas na
bolsa, todas bem lindas, com papel de gramatura 120. As três contém apenas
contas e listas de supermercado. E olha que eu tenho pensado bastante, mas o
caminho da ideia pro papel tem parecido mais longo do que de costume, a vida
parece andar barulhenta demais e a minha autocrítica mais cricri que mãe judia.
Ainda assim, esse comichão persiste me
aborrecendo. Eu o espanto feito uma abelha chata, e tal qual o persistente
inseto, ele volta zumbindo cada vez mais alto. E vem de mãos dadas com o outro
comichão, que repete “odeio meu trabalho, odeio meu trabalho, odeio meu
trabalho”. As vozes na minha cabeça são assim, preguiçosas e metidas a
literatas.
E fazem com que eu me ponha a sonhar
com uma outra vida, uma vida em que eu conseguiria escrever e me tornar de fato
uma escritora, vivendo em um país onde seria possível me sustentar dignamente
sendo apenas escritora e calar a boca dessas duas vozinhas extremamente chatas
– e da mais chata de todas, aquela que fica repetindo: “mas você nem tentou”.
E não acho que um dia eu vá chegar a
tentar realmente. Me parece um pouco absurdo demais sequer imaginar uma coisa
dessas. Não tenho essa pretensão, mesmo.
Só que não consigo mais não fazer nada
a respeito dessas malditas vozes. Então criei uma pasta super secreta e
protegida por senha no computador, onde salvo algumas crônicas bem vergonhosas,
as quais nunca mais abro depois de terminar. E ando com uma certa vontadezinha
de leve de me matricular em um curso de escrita criativa, desde que ninguém
exija ler nada meu em público, desde que eu possa ficar bem quietinha ali no
fundo da classe. Não sei se tem algum em SP, isso parece tão coisa de filme de
nova iorquinos tentando se encontrar na vida. Será?
Talvez tenha alguma coisa a ver com meu
signo saindo de sua fase de eclipses, talvez seja só o peso da idade jogando
meus sonhos frustrados em minha cara. Talvez eu deva tentar ser um pouco menos
dramática e simplesmente encarar isso como um hobby, como corte e costura ou
jardinagem. Que é a única coisa que a escrita pode ser para mim hoje. E tudo
bem, não tem problema que ela seja só isso. Ela só precisa ser.
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sexta-feira, setembro 23, 2011
Não aprendi a dizer adeus
Segunda que vem mudo de casa de novo, vou morar com o quase marido, que já vai ser marido com ou sem assinatura de contrato. E é claro que estou felicíssima e cheia de planos e vontades de ficar muito tempo juntinho e passear bastante pelo bairro delícia, e encher os bichos de presentes de cada um dos 700 pet shops da vizinhança, e decorar o ape novo com a nossa cara e tudo o mais.
No entanto, ainda não empacotei uma só caixa. Sou só suspiros a cada vez que saio de casa e penso que vou deixar o meu apartamentinho de bonecas pra trás. E você deve estar pensando: "mas que idiotice, é só um apartamento alugado".
Só que esse cantinho tem um significado muito maior do que um simples teto sobre a minha cabeça. Ele representa o meu grito de independência. Foi nele que eu deixei de ser a filha ou a mulher de alguém e fui apenas eu, com todos os ônus e bônus. Meu canto. Os móveis feios e velhos são meus, eu que providenciei. Os quadros tortos e desparelhados, fui eu que escolhi. A bagunça fui eu quem fiz. Comi só quando tive fome, deixei de dormir mesmo tendo sono e ninguém me deu bronca por nada disso. Só eu.
Foi ali que eu aprendi a ficar só e gostar. Muito. Foi ali que eu aprendi a conversar comigo e a me entender. Que eu achei conforto aprendendo a cozinhar por prazer, e não porque tinha alguém com fome esperando. A cuidar dos bichos e das plantas e de mim. Meu país das maravilhas.
Às vezes eu quase sentia que o apartamento me dava abraços e cafunés. Igual ao hotel de "O Iluminado", só que ao contrário. Toda vez que eu entrava lá era como se ele dissesse "ai que saudades". E eu sentia falta, uma dor física mesmo, quando passava muito tempo longe dele e de tudo que ele representou na minha vida.
Então, ir embora está sendo como terminar um namoro com alguém que vc ainda ama. Você sabe que precisa ir em frente, mas não sabe o que fazer com os caquinhos do seu coração espalhados no chão, te pedindo pra ficar. Mais ou menos como a Mônica e a Rachel se despedindo.
Por melhor que sejam meus dias daqui pra frente, e tenho certeza que de serão, eu vou sempre ficar com o coração quentinho ao me lembrar que foi aqui que eu me reconstruí e finalmente aprendi a ser feliz de novo.
No entanto, ainda não empacotei uma só caixa. Sou só suspiros a cada vez que saio de casa e penso que vou deixar o meu apartamentinho de bonecas pra trás. E você deve estar pensando: "mas que idiotice, é só um apartamento alugado".
Só que esse cantinho tem um significado muito maior do que um simples teto sobre a minha cabeça. Ele representa o meu grito de independência. Foi nele que eu deixei de ser a filha ou a mulher de alguém e fui apenas eu, com todos os ônus e bônus. Meu canto. Os móveis feios e velhos são meus, eu que providenciei. Os quadros tortos e desparelhados, fui eu que escolhi. A bagunça fui eu quem fiz. Comi só quando tive fome, deixei de dormir mesmo tendo sono e ninguém me deu bronca por nada disso. Só eu.
Foi ali que eu aprendi a ficar só e gostar. Muito. Foi ali que eu aprendi a conversar comigo e a me entender. Que eu achei conforto aprendendo a cozinhar por prazer, e não porque tinha alguém com fome esperando. A cuidar dos bichos e das plantas e de mim. Meu país das maravilhas.
Às vezes eu quase sentia que o apartamento me dava abraços e cafunés. Igual ao hotel de "O Iluminado", só que ao contrário. Toda vez que eu entrava lá era como se ele dissesse "ai que saudades". E eu sentia falta, uma dor física mesmo, quando passava muito tempo longe dele e de tudo que ele representou na minha vida.
Então, ir embora está sendo como terminar um namoro com alguém que vc ainda ama. Você sabe que precisa ir em frente, mas não sabe o que fazer com os caquinhos do seu coração espalhados no chão, te pedindo pra ficar. Mais ou menos como a Mônica e a Rachel se despedindo.
Por melhor que sejam meus dias daqui pra frente, e tenho certeza que de serão, eu vou sempre ficar com o coração quentinho ao me lembrar que foi aqui que eu me reconstruí e finalmente aprendi a ser feliz de novo.
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quinta-feira, setembro 22, 2011
Ain, corror*
Foram anos me preparando para a chegada desse dia, mas ainda assim não foi suficiente. Fiz matrícula e avaliação física na academia. Meu deus, que coisa brutal. Não sei se o pior era a roupa ressaltando tudo aquilo que eu evito olhar no espelho, o tênis com amortecimento que me fazia perder o equilíbrio, o vestiário sem cabines individuais e dezenas de periquitas voando à minha volta ou o instrutor me ordenando "segurar o quanto eu conseguir" nas mais constrangedoras posições. Isso sem falar na música. Aparentemente academias só tem CDs do Black Eyed Peas. Extremamente desgastante. Devo ter emagrecido uns cinco quilos só de constrangimento.
Penso que minha vida seria muito melhor se eu fosse o tipo de pessoa que corre, anda de bicicleta, dança ou ama suas curvas. Mas infelizmente eu não sou dessas. Eu sou daquelas que quer perder peso assistindo Friends.
Enquanto isso na sala de justiça eu fui convidada para o programa de apoio aos fumantes da firma. E aceitei. Isso significa que devo começar a frequentar grupos de apoio e chamar todos os outros fumantes de fedidos e fracos (é sério mesmo, frequentar o grupo de apoio é pré-requisito para ter direito às consultas e eteceteras gratuitos do programa). Me sinto meio Marla Singer. Eu digo: "Olá, meu nome é Suzana, hoje faz 43 horas e sete segundos que não fumo e estou muito feliz". Eu penso: "Olá, meu nome é Suzana e essas foram as piores 43 horas e sete segundo da minha vida, volta pra miiiiim cigarrito, mi amor". E não posso nem comer um bacon pra me consolar, porque senão vou ter de ouvir o instrutor falando sobre minha "circunferência abdominal" no megafone.
Por isso o sumiço do blog. Uma vida saudável é uma vida que não vale a pena ser contada.
*Por favor leiam The Alan Prost, a melhor coisa que apareceu esse ano.
Penso que minha vida seria muito melhor se eu fosse o tipo de pessoa que corre, anda de bicicleta, dança ou ama suas curvas. Mas infelizmente eu não sou dessas. Eu sou daquelas que quer perder peso assistindo Friends.
Enquanto isso na sala de justiça eu fui convidada para o programa de apoio aos fumantes da firma. E aceitei. Isso significa que devo começar a frequentar grupos de apoio e chamar todos os outros fumantes de fedidos e fracos (é sério mesmo, frequentar o grupo de apoio é pré-requisito para ter direito às consultas e eteceteras gratuitos do programa). Me sinto meio Marla Singer. Eu digo: "Olá, meu nome é Suzana, hoje faz 43 horas e sete segundos que não fumo e estou muito feliz". Eu penso: "Olá, meu nome é Suzana e essas foram as piores 43 horas e sete segundo da minha vida, volta pra miiiiim cigarrito, mi amor". E não posso nem comer um bacon pra me consolar, porque senão vou ter de ouvir o instrutor falando sobre minha "circunferência abdominal" no megafone.
Por isso o sumiço do blog. Uma vida saudável é uma vida que não vale a pena ser contada.
*Por favor leiam The Alan Prost, a melhor coisa que apareceu esse ano.
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quarta-feira, julho 06, 2011
Era uma vez

Todo mundo tinha certeza que aquela história não ia dar certo. Uma coisa é divertir-se bastante com as idas e vindas, discussões acaloradas e reconciliações meio sem-vergonha. Mas ninguém jamais apostaria uma ficha sequer que duas pessoas tão imaturas e neuróticas pudessem se suportar por mais de seis meses. Começamos com o pé esquerdo, motivados simplesmente pelo fato de que era impossível ficar longe.
Eu não podia nem imaginar qualquer outra coisa, porque não via possibilidade de começar um novo relacionamento enquanto não decidisse se desligava os aparelhos do relacionamento anterior ou se continuava pateticamente tentando reanimá-lo, como vinha fazendo nos últimos dois anos. Depois que eu resolvesse isso, talvez até pudesse começar um novo relacionamento, mas jamais com ele. Porque ele trabalhava demais, ria de menos e não fumava. E porque ele era um canalha sem coração. Era o que todo mundo dizia.
Ele também não podia nem imaginar qualquer coisa comigo, primeiro porque as coisas no trabalho estavam começando a dar certo e ele não queria nenhuma distração. Além disso, ele tinha um pequeno séquito de mulheres apaixonadas para administrar. E não tinha endereço fixo. E eu era porra-louca demais pra ele, bebia demais e fumava demais.
Era dor de cabeça na certa. Inicialmente havia uma vontade irresistível de beijar, abraçar e apertar pelo máximo de tempo disponível. E também de conversar e conversar e conversar ainda mais. E descobrir todas as idiossincrasias. Rir, dividir pastas de música e pedir conselhos. Mas a gente não queria nada sério um com o outro, magina.
Decidi desligar os aparelhos. Ele decidiu que podia trabalhar só no horário comercial. A gente decidiu não esquentar a cabeça com a seriedade daquilo. Eu descobri que o coração do canalha sem coração era mais mole que gelatina e que ele achava um saco aquela fama. Ele descobriu que a bêbada-porra-louca-modernosa gostava de passar o fim de semana cozinhando e assistindo seriados, mas não contava para ninguém.
A gente brigou, deu vexame, abusou dos amigos. Depois a gente ficou de bem, se isolou do mundo e levou bronca dos amigos – que a essa altura já eram amigos de ambos. Fomos aprendendo a ser gente grande juntos.
Hoje faz quatro anos que a gente foi expulso do Viana depois de trocar o nosso primeiro beijo. E quer saber? No fundo a gente sempre soube que ia ficar junto para sempre.
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segunda-feira, junho 27, 2011
Feito cão e gato

Se tem uma habilidade que eu definitivamente não tenho é aquele sexto sentido de sacar se uma pessoa presta ou não depois de 2 minutos de conversa. Se a pessoa sabe fazer piadas, não critica o fato de eu gostar de Harry Potter e não usa crocs, pronto, eu gosto dela e a considero apta pra ser minha amiga, contar toda a minha vida e ouvir toda a dela. Todo mundo é meu amigo até que prove que não é assim que a banda toca.
Não é raro eu acabar a história com cara de bolinha, pensando que preciso ser mais cuidadosa e seletiva com quem eu chamo de amigo. Que é preciso tempo pra se conhecer alguém, que é preciso saber se preservar e não sair mostrando todas as cartas do baralho já logo na primeira rodada. Enfim, é preciso ser mais gato e menos cão com quem não se conhece muito bem.
Whisky, o cão, mal chegou em casa e já dormia de conchinha comigo, lambia tudo e todos na maior alegria e vivia de barriga pra cima pra gente coçar. Tinha gente que não gostava e enxotava ele, que ficava profundamente magoado e sem entender por que se recusavam a aceitar todo aquele amor que ele tem pra dar.
Alexandre e Clotilde, os gatos, vieram pra casa já grandinhos e levaram quase seis meses para me dar a honra de deitarem espontâneamente no meu colo. Eram fofos e dóceis, mas não davam muita trela para aquelas três criaturas (eu, o Paulo e o Whisky) que eles mal conheciam. Hoje são umas malas véias, querem colo até quando estamos na privada, mas continuam se escondendo das visitas e fingindo que elas não existem. Eles não desperdiçam nem uma gotinha de amor com quem eles não conhecem e não sabem se irá retribuir.
Apesar da já discutida cara de cu, eu sou igualzinha ao Whisky, sempre bestalhona e querendo fazer amigos. E depois indo pra debaixo da cama chorar quando alguém me mostra os dentes. A diferença é que o Whisky esquece tudo em meia hora, eu não esqueço nunca mais. Fico com mágoa de caboclo eterna de quem não sabe ser amigo. É uma tremenda lambança.
Então, estou sendo muito mais Clotilde. Deixando a confiança chegar aos poucos (se é que chega), segurando a língua para não falar demais. E olha só que surpresa: os poucos relacionamentos que construí nos últimos meses parecem ser de muito maior qualidade. Tenho conseguido separar Amigo de amigo e estes de colega e de conhecido. Tenho me divertido mais e me preocupado menos.
Whisky, Alexandre e Clotilde se odiavam quando se conheceram. Eram tapas, rosnados e miados de ódio o dia inteiro. Tenho quase certeza que, em duas ocasiões, vi os gatos cochichando um plano para destruir aquele peludo nojento, enquanto o Whisky delatava os dois sempre que eles cometiam qualquer delito, como derrubar porta-retratos. Essa noite os três fizeram um bolinho e dormiram juntinhos. De manhã, trocaram lambidas de bom dia, sem distinção de espécie. Por essas e outras é que eu tenho acreditado que o tempo é realmente nosso melhor amigo.
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terça-feira, junho 21, 2011
O que importa na vida
Eu: Finalmente achei uma academia boa aqui perto, começo depois do feriado.
Amiga: Boa mesmo? O que tem lá?
Eu: Tem esteiras e bicicletas com televisão!
Amiga: Tá, mas que aulas que tem?
Eu: Ah, sei lá né? Nem sei se tem aulas. Mas sei que dá pra assistir dois Friends e o Vídeo Show na hora do almoço.
Porque a gente tem que focar no que realmente importa nessa vida.
Amiga: Boa mesmo? O que tem lá?
Eu: Tem esteiras e bicicletas com televisão!
Amiga: Tá, mas que aulas que tem?
Eu: Ah, sei lá né? Nem sei se tem aulas. Mas sei que dá pra assistir dois Friends e o Vídeo Show na hora do almoço.
Porque a gente tem que focar no que realmente importa nessa vida.
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segunda-feira, junho 06, 2011
Po po po poker face
Então é assim. Eu me considero uma pessoa relativamente simpática e educada. Dou uma cota considerável de sorrisinhos por dia e trato bem mesmo quem eu não vou muito com as fuças, porque sei que é o que pede a boa educação. Porém, não sou a mais expansiva das pessoas. Nem a mais ou menos. Não sou nada expansiva, pronto. Sou tímida e reservada. Prefiro ouvir do que falar. Não puxo assunto no elevador, mas respondo se puxarem. Eu nasci assim, eu cresci assim, Gabrieeela.
Mas acontece que eu tenho a maior cara de cu. A maior de todas. Quando não estou me esforçando no modo "interação social", que me faz dar sorrisinhos, a minha cara é de cu, porque eu passo 80% do meu tempo no trabalho, que não é onde eu queria estar. Se eu passasse 80% do meu tempo debaixo das cobertas comendo chocolate e vendo seriados, talvez tivesse uma cara um pouco mais amigável. E quando estou no trabalho, passo algum tempo vadiando em blogs diarinhos e redes sociais, então eu redobro o que eu chamo de "cara de trabalho", que imagino ser uma expressão ubber concentrada: testa franzida, olhos fixos na tela e mãos no queixo. De vez em quando praguejo qualquer coisa para dar mais credibilidade. Assim as pessoas pensam que estou super ocupada numa tarefa difícil e não me aborrecem.
Só que, aparentemente, eles não interpretam isso como "cara de trabalho", mas sim como "cara de psicopata homicida de quem eu não vou me aproximar nem que minha vida dependa disso". Descobri recentemente que um monte de gente no trabalho morre de medo de mim. Fiquei chocada e fui contar pro Paulo. "Mas eu sou tão fofa e besta, por que as pessoas teriam medo de mim?". E ele fez a confissão mais chocante de todas: ele também tinha medo de mim quando éramos só coleguinhas de trabalho.
Um parênteses sobre o Paulo: ele é o melhor namorado do mundo, mas é também o seu pior pesadelo enquanto colega de trabalho. Sabe aqueles pesadelos que vc tem às vezes em que vc está pelado e seu chefe está dizendo que seu trabalho é uma merda? Tirando a nudez, o resto ele faz. É pragmático, direto, patologicamente honesto, mal-humorado e sem papas na lingua. Eu adorava trabalhar com ele porque pensava na fortuna que estava economizando em pós-graduação, mas muita gente tinha pavor. E essa pessoa tinha medo de mim.
Passado o choque inicial de ser percebida de uma forma tão destoante daquilo que eu imagino ser, comecei a me perguntar se isso é realmente tão ruim. Ok, eu não vou ser eleita pra Cipa, nem chamada pras gincanas nas festas de confraternização. As pessoas vão continuar me entregando as coisas em dia e enchendo pouco o meu saco. Ninguém vai se passar além da conta. É estranho (bem estranho), mas acho que me agrada. E daí à noite eu encho a cara com os amigos e imito o dom Lázaro, mas só pra quem realmente merece esse espetáculo.
Acho que pode funcionar muito bem.
Mas acontece que eu tenho a maior cara de cu. A maior de todas. Quando não estou me esforçando no modo "interação social", que me faz dar sorrisinhos, a minha cara é de cu, porque eu passo 80% do meu tempo no trabalho, que não é onde eu queria estar. Se eu passasse 80% do meu tempo debaixo das cobertas comendo chocolate e vendo seriados, talvez tivesse uma cara um pouco mais amigável. E quando estou no trabalho, passo algum tempo vadiando em blogs diarinhos e redes sociais, então eu redobro o que eu chamo de "cara de trabalho", que imagino ser uma expressão ubber concentrada: testa franzida, olhos fixos na tela e mãos no queixo. De vez em quando praguejo qualquer coisa para dar mais credibilidade. Assim as pessoas pensam que estou super ocupada numa tarefa difícil e não me aborrecem.
Só que, aparentemente, eles não interpretam isso como "cara de trabalho", mas sim como "cara de psicopata homicida de quem eu não vou me aproximar nem que minha vida dependa disso". Descobri recentemente que um monte de gente no trabalho morre de medo de mim. Fiquei chocada e fui contar pro Paulo. "Mas eu sou tão fofa e besta, por que as pessoas teriam medo de mim?". E ele fez a confissão mais chocante de todas: ele também tinha medo de mim quando éramos só coleguinhas de trabalho.
Um parênteses sobre o Paulo: ele é o melhor namorado do mundo, mas é também o seu pior pesadelo enquanto colega de trabalho. Sabe aqueles pesadelos que vc tem às vezes em que vc está pelado e seu chefe está dizendo que seu trabalho é uma merda? Tirando a nudez, o resto ele faz. É pragmático, direto, patologicamente honesto, mal-humorado e sem papas na lingua. Eu adorava trabalhar com ele porque pensava na fortuna que estava economizando em pós-graduação, mas muita gente tinha pavor. E essa pessoa tinha medo de mim.
Passado o choque inicial de ser percebida de uma forma tão destoante daquilo que eu imagino ser, comecei a me perguntar se isso é realmente tão ruim. Ok, eu não vou ser eleita pra Cipa, nem chamada pras gincanas nas festas de confraternização. As pessoas vão continuar me entregando as coisas em dia e enchendo pouco o meu saco. Ninguém vai se passar além da conta. É estranho (bem estranho), mas acho que me agrada. E daí à noite eu encho a cara com os amigos e imito o dom Lázaro, mas só pra quem realmente merece esse espetáculo.
Acho que pode funcionar muito bem.
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quinta-feira, abril 21, 2011
A kiss with a fist is better than none
Eu tinha me esquecido por completo o quão reconfortante é simplesmente ficar largada diante do computador descobrindo músicas. Deixar uma coisa levar à outra, deixar o ouvido decidir se quer aquele carinho, dar uma dançadinha e cantar gritando (desculpem, vizinhos) as músicas aprovadas.
Tem gente que precisa correr, se exercitar, pra ficar bem. Tem gente que precisa meditar. Eu preciso disso. Descobrir novos amores auditivos de vez em quando, pra me lembrar que enquanto existirem ruivas esquisitonas com voz de paraíso, não há tormento que me derrube. Minha mais nova paixão é Florence and the Machine, que ficou famosa por ter conquistado até bebezinhos. Eu, particularmente, a amo por esfregar verdades em minha cara de maneira tão linda.
Gone all the days of begging
The days of theft
No more gasping for a breath
The air has filled me head-to-toe
And I can see the ground far below
I have this breath
And I hold it tight
And I keep it in my chest
With all my might
I pray to God this breath will last
As it pushes past my lips
As I gasp! Breathe!
Sim, eu amo a Florence. Mas esse post devia ter ido por outro caminho, pelo caminho aberto pelo título dele (que é trecho de outra música dela). Perdi a coragem no meio da madrugada. Vamos falar apenas de música e está muito bom.
Tem gente que precisa correr, se exercitar, pra ficar bem. Tem gente que precisa meditar. Eu preciso disso. Descobrir novos amores auditivos de vez em quando, pra me lembrar que enquanto existirem ruivas esquisitonas com voz de paraíso, não há tormento que me derrube. Minha mais nova paixão é Florence and the Machine, que ficou famosa por ter conquistado até bebezinhos. Eu, particularmente, a amo por esfregar verdades em minha cara de maneira tão linda.
Gone all the days of begging
The days of theft
No more gasping for a breath
The air has filled me head-to-toe
And I can see the ground far below
I have this breath
And I hold it tight
And I keep it in my chest
With all my might
I pray to God this breath will last
As it pushes past my lips
As I gasp! Breathe!
Sim, eu amo a Florence. Mas esse post devia ter ido por outro caminho, pelo caminho aberto pelo título dele (que é trecho de outra música dela). Perdi a coragem no meio da madrugada. Vamos falar apenas de música e está muito bom.
terça-feira, abril 12, 2011
sábado, abril 09, 2011
Bitch, please
quarta-feira, março 30, 2011
Novelão
Minha terapeuta vive constantemente me lembrando que a vida não é feita de extremos. Que entre o "amo" e o "odeio", existe o gosto, o tolero, o convivo, o ignoro... Que eu preciso deixar o termometro mais no morno se quiser viver em paz. Constantemente, porque toda semana eu chego amando ou odiando algo ou alguém. É muito, muito, muito difícil pra mim conviver com o ok. Parece que falta tanto quando algo é apenas na média, como diz o amado Eric (e eu bem sei que quando ele diz que algo foi "na média", foi porque ele detestou).
Eu não sei viver longe dos extremos, eu gosto demais dos extremos. Se é pra amar, é pra amar inteiro, se é pra ser amigo, é ser amigo até quando o outro está bebado, chorando, cuspindo e ameaçando tirar a calcinha na boate, e se é pra odiar, é pra ficar louca de ódio e não medir esforços até acabar com a sua vida e reputação. Eu amo e odeio feito louca, e isso não é bom pra quem convive comigo e muito menos pra mim.
Amor desmedido é um prato cheio pra decepção. A gente espera uma reciprocidade que nem sempre vem, fantasia, fica viciado em tanto sentimento. Não dura, expõe a alma a todos os ferimentos mais feios. Dói além da conta. Ódio demais faz a gente agir feito criança - e ser tratada como tal. A gente age achando que está fazendo a Nazaré Tedesco, mas quando a loucura passa, percebemos que pagamos de Tonho da Lua e todo o povo agora nos olha com pena. Ressaca moral nervosa.
É difícil tentar domar esse cavalo doido, porque eu gosto dele assim, livre. Mas ele vive me derrubando e não é assim que deve ser a nossa convivência. Aprecio demais sentir todas as coisas com tanta intensidade, as boas e as ruins, não quero ser diferente. Não posso.
Me falta talvez a malandragem de prever onde estou me enfiando, para que, a cada vez que a dor e a delícia de ser assim chegarem, eu não me sinta ultrajada, enganada e decepcionada comigo. Para lidar com as consequências. Mas é como ela diz, um passinho de cada vez. Uma hora, quem sabe, eu consigo migrar para o núcleo dos mocinhos centrados, equilibrados e maduros das novelas.
Eu não sei viver longe dos extremos, eu gosto demais dos extremos. Se é pra amar, é pra amar inteiro, se é pra ser amigo, é ser amigo até quando o outro está bebado, chorando, cuspindo e ameaçando tirar a calcinha na boate, e se é pra odiar, é pra ficar louca de ódio e não medir esforços até acabar com a sua vida e reputação. Eu amo e odeio feito louca, e isso não é bom pra quem convive comigo e muito menos pra mim.
Amor desmedido é um prato cheio pra decepção. A gente espera uma reciprocidade que nem sempre vem, fantasia, fica viciado em tanto sentimento. Não dura, expõe a alma a todos os ferimentos mais feios. Dói além da conta. Ódio demais faz a gente agir feito criança - e ser tratada como tal. A gente age achando que está fazendo a Nazaré Tedesco, mas quando a loucura passa, percebemos que pagamos de Tonho da Lua e todo o povo agora nos olha com pena. Ressaca moral nervosa.
É difícil tentar domar esse cavalo doido, porque eu gosto dele assim, livre. Mas ele vive me derrubando e não é assim que deve ser a nossa convivência. Aprecio demais sentir todas as coisas com tanta intensidade, as boas e as ruins, não quero ser diferente. Não posso.
Me falta talvez a malandragem de prever onde estou me enfiando, para que, a cada vez que a dor e a delícia de ser assim chegarem, eu não me sinta ultrajada, enganada e decepcionada comigo. Para lidar com as consequências. Mas é como ela diz, um passinho de cada vez. Uma hora, quem sabe, eu consigo migrar para o núcleo dos mocinhos centrados, equilibrados e maduros das novelas.
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terça-feira, março 29, 2011
Eu tinha uma ideia para este post, mas me perdi
Esta semana eu decidi parar de fumar.
Resolvi colocar desta forma porque é muito mais impactante, mas na verdade eu decidi consultar um médico para avaliar as opções que tenho para me ajudar a parar de fumar. O que não quer dizer absolutamente nada de concreto. Não significa que eu vou mesmo parar, nem mesmo que eu vá continuar com vontade de parar de fumar. Vou só avaliar se o sofrimento vai ser muito ou pouco. Eu já tinha tomado essa decisão desde o começo do ano, na verdade, por um monte de motivos, nenhum deles relacionado a viver mais.
Esta semana teve a boa e velha semana da segurança na firma, quando sempre rolam aquelas palestras manjadas que ensinam que se você quiser viver bastante, não deve fumar, beber, trepar, comer carne ou passar perto de doces. Qualquer uma dessas coisas diminuirá sua expectativa de vida em milhares de anos, destruirá a vida de todos que você ama e provavelmente foi responsável pela extinção dos dinossauros.
A palestra não teve nada a ver com a história de parar de fumar. Na verdade, ela quase me demoveu da ideia, dizendo que não fumantes são tres vezes mais afetados pelo cigarro do que fumantes, e que o cigarro continua fazendo mal ao ex-fumante, mesmo depois de 20 anos sem ele. So, what's the point?
A palestra só me fez pensar na inocência do ser humano em se apegar com tanta força a esse mito de que temos algum controle sobre o viver e o morrer. A gente come verduras, come ração humana, dorme 8 horas religiosamente, faz exercícios, faz sexo seguro, olha para os dois lados antes de atravessar, porque nós precisamos acreditar que quem determina nosso tempo de vida somos nós. Que somos capazes de barganhar com a dona morte. Ou até enganá-la. Que se fizermos tudo certinho, ela vai nos deixar curtir a festa mais um pouco.
Eu não acredito nisso, apesar do José Alencar estar aí me desmentindo. Acho bem mais fácil simplesmente aceitar que ela vem pra todo mundo, e não está nem aí para seus erros ou acertos. Mais cedo ou mais tarde, tanto faz.
Então por que parar de fumar? Por causa dos meus perfumes. Eu tenho uma pequena fortuna em perfumes, minha memória que funciona melhor é a olfativa e o cigarro está se metendo neste delicado relacionamento. Ninguém nunca vai me chamar de linga, ou magrela, ou gostosa, ou genial. Então que pelo menos me chamem de cheirosa.
Resolvi colocar desta forma porque é muito mais impactante, mas na verdade eu decidi consultar um médico para avaliar as opções que tenho para me ajudar a parar de fumar. O que não quer dizer absolutamente nada de concreto. Não significa que eu vou mesmo parar, nem mesmo que eu vá continuar com vontade de parar de fumar. Vou só avaliar se o sofrimento vai ser muito ou pouco. Eu já tinha tomado essa decisão desde o começo do ano, na verdade, por um monte de motivos, nenhum deles relacionado a viver mais.
Esta semana teve a boa e velha semana da segurança na firma, quando sempre rolam aquelas palestras manjadas que ensinam que se você quiser viver bastante, não deve fumar, beber, trepar, comer carne ou passar perto de doces. Qualquer uma dessas coisas diminuirá sua expectativa de vida em milhares de anos, destruirá a vida de todos que você ama e provavelmente foi responsável pela extinção dos dinossauros.
A palestra não teve nada a ver com a história de parar de fumar. Na verdade, ela quase me demoveu da ideia, dizendo que não fumantes são tres vezes mais afetados pelo cigarro do que fumantes, e que o cigarro continua fazendo mal ao ex-fumante, mesmo depois de 20 anos sem ele. So, what's the point?
A palestra só me fez pensar na inocência do ser humano em se apegar com tanta força a esse mito de que temos algum controle sobre o viver e o morrer. A gente come verduras, come ração humana, dorme 8 horas religiosamente, faz exercícios, faz sexo seguro, olha para os dois lados antes de atravessar, porque nós precisamos acreditar que quem determina nosso tempo de vida somos nós. Que somos capazes de barganhar com a dona morte. Ou até enganá-la. Que se fizermos tudo certinho, ela vai nos deixar curtir a festa mais um pouco.
Eu não acredito nisso, apesar do José Alencar estar aí me desmentindo. Acho bem mais fácil simplesmente aceitar que ela vem pra todo mundo, e não está nem aí para seus erros ou acertos. Mais cedo ou mais tarde, tanto faz.
Então por que parar de fumar? Por causa dos meus perfumes. Eu tenho uma pequena fortuna em perfumes, minha memória que funciona melhor é a olfativa e o cigarro está se metendo neste delicado relacionamento. Ninguém nunca vai me chamar de linga, ou magrela, ou gostosa, ou genial. Então que pelo menos me chamem de cheirosa.
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