segunda-feira, novembro 26, 2007

Vanucci mode on

Porque agora é mudar ou mudar de vez.

terça-feira, novembro 20, 2007

Meus roomates, os meninos

Tudo bem, eu reclamo. Muito. Mas tenho de reconhecer as coisas que fazem esse trabalho valer a pena. Dividir apartamento com dois meninos é uma das coisas mais divertidas que eu já vivenciei. Certo, meninas não deixariam o quarto parecendo uma instalação de arte moderna de tão bagunçado. Tipo meias no lustre, mesmo. Meninas não entupiriam a privada do MEU banheiro. Mas meninas também não passariam horas contando as histórias mais escatológicas e engraçadas. Nem teriam um gibi do Cebolinha na mesa de cabeceira. Nem abririam uma cerveja às três da tarde. Nem conseguiriam fazer 418 piadas a respeito do sabor do suco escolhido.

Essa capacidade de ser naturalmente podres e desencanados dos meninos me encanta muito. A capacidade de resolver tudo com um "ah, foda-se, seu viado", sem que isso implique necessariamente em um xingamento de verdade ou se transforme em mimimis é um bálsamo. Com meninos, é desnecessário falar sério. Se você quiser, pode passar o resto da vida só fazendo piadas e trocadilhos mongolóides, do tipo "tem posto aí atrás", que tudo bem. Eles REALMENTE não vão querer falar sobre seus sentimentos, a vida, o universo e tudo mais. E cara, muitas vezes tudo que eu quero é fazer trocadilhos mongolóides.

Eu adoro as meninas, adoro mimimis, adoro poder falar de temas existenciais profundos às vezes. Mas poder gritar "porra, caralho, vc entupiu meu banheiro" sem medo de ferir sentimentos é absolutamente sensacional.

Acho que se eu tivesse outros colegas de quarto, essa situação toda ia ser bem mais difícil. Provavelmente eu já estaria vendendo balas na estação de trem. Que bom que não é assim.

domingo, novembro 18, 2007

Das coisas que dão errado

Existem as coisas que dão certo. Muito certo. Tão certo que ficam chatas. A gente já sabe tudo o que vai acontecer e sabe que nunca mais vai se surpreender. Isso não é de todo ruim, já que a vida está abarrotada de más surpresas. Mas existem pessoas que são dependentes daquela sensação de incerteza, do frio na barriga, da montanha-russa. Até conseguem abrir mão dessas coisas por algum tempo, em prol de uma conquista maior, por acreditar que aquilo que elas têm vale mais do que essas sensações efêmeras. De fato, vale. Sempre vale. Mas o alcoólatra também sabe que as coisas que ele conquistou sóbrio valem mais do a delícia de saciar a vontade de beber. E nem por isso ele não bebe. Porque é químico, é maior do que o "eu não quero e pronto". Se fosse fácil assim, ah, se fosse. Metade da poesia do mundo estaria morta, porque as melhores obras nascem do erro. Ninguém escreve letra, livro, filme falando sobre como é legal andar na linha e acertar sempre. ou até escrevem, mas devem ser chatos.

E existem as coisas que dão errado - e que dão origem a essas obras todas que a gente ama tanto que se esgoela de tão boas. As coisas que dão errado são boas porque geram coisas boas. Sejam obras de arte, seja crescimento. Mas o processo de perceber que as SUAS coisas estão dando errado não é nada divertido. Perceber que não vai dar certo por mais que você queira e faça força e pense e se agarre e tentetentetente de todos os jeitos que você conhece é, no mínimo, frustrante.

E dói pra caralho. Porque você acha tão bonito e perfeito, e acha que daria um roteiro de filme de amor daqueles (porque afinal a NOSSA história é sempre a mais bonita do mundo) e, mesmo assim, tem que dizer "não, obrigada". Porque se você disser sim, vai chegar um momento em que não vai saber porque caralhos você disse tanto sim. E vai se odiar por ter dito.

Porque vai ver as coisas com toda a clareza, sem o manto do encantamento e da novidade, e vai perceber que nada era perfeito, nunca foi. Porque não existe perfeição no um + um. Existe o ajuste constante, e isso sim é que é bonito. É querer se ajustar para dar certo, é dar um pouquinho do seu tão sagrado espaço para que alguém se instale. A receita de bolo não tem nada de bonita e inspiradora. Ela é só banal.

Eu me cansei de dizer sim e de calar. E foi bom, porque eu descobri que eu valorizo minhas convicções muito mais do que eu achava que era capaz. E descobri que eu posso demorar um pouco pra perceber que eu devo dizer "não, obrigada". Mas quando eu consigo dizer, é porque é de verdade. É porque acabou. E isso me deixa cheia de orgulho. Queria ter alguém pra quem contar essas coisas todas. Mas me dá preguiça de explicar tudo, sabe? Desde o começo.
Bonito e triste, orgulho e frustração. Acho que pode dar samba. Ou não. Está tarde e eu vou dormir.

terça-feira, novembro 13, 2007

Cry for help 2

Alguém me dá um emprego, pelamordedeus.

segunda-feira, novembro 12, 2007

Cry for help

Ninguém neste mundo, NINGUÉM MESMO, me conhece melhor que o horóscopo do I-Google.


The Moon in your sign, Capricorn, can force you to feel extra sensitive now. For others it might bring feelings of responsibility based on guilt. Although you aren't immune from feelings of low self-esteem, it's possible that a little show of vulnerability will be helpful. Remember that you can feel weakness without becoming a weak person.

u_u

terça-feira, novembro 06, 2007

BBB Corporativo

Acho que agora vai. Agora eu enriqueço mesmo. Finalmente tive uma idéia muito simples, mas genial, para vender para a Endemol. A idéia consiste em instalarem umas 30 câmeras aqui no flat/escritório onde a gente vive há quase 4 meses. Voilá: um Big Brother Corporativo prontinho pra ser exibido. Sem roteiro, sem manipulação, sem Boninho. Apenas as cicatrizes REAIS da vida REAL de quatro calégas obrigados a dividir um espaço pequeno e desconfortável e sujeitos às PEORES condições psicológicas.

Ia ser sucesso imediato, certeza. Porque tem tudo que o BBB tem de melhor (menos as bundas na piscina): barraco, choro, discussões enriquecedoras, piadas bestas, panelinhas, falsidade, muito, muito drama e conflitos psicológicos.

Cada vez que começasse uma reunião a audiência ia bombar, porque as reuniões equivaleriam às festas do BBB. Ou seja, sinônimo de quebra pau e baixaria. Em vez daquela decoração cafona das festas, muitos flip charts espalhados pela casa. Em vez de biquinis, terninhos. Porque esse é um programa família e não tem nada de pagar peitinho ou desfilar de sunga branca.

E tem provas também, como não teria? Quem conseguir cumprir as metas diárias, que podem ser simples como botar um post no blog do cliente ou completamente retardadas, como editar 33 textos em um único dia, ganha o direito à uma hora de TV. Quem conseguir fazer o cliente assinar o documento de validação, pode ir dormir antes das 3h da manhã ou até às 10h do dia seguinte sem ser olhado como leproso.

Entretanto, quem vai mal nas provas não sai impune, e aí está a mágica do programa. Não se portou bem na reunião? Três noites sem dormir! Não viu que o link daquele texto estava quebrado? Nada de banho hoje!Seus redatores não cumpriram o prazo? Jante uma bolacha estragada sem desgrudar os olhos do micro! O bacana é que em muito pouco tempo a sanidade vai toda embora e daí a galera começa a aprontar altas confusões, que vão fazer o público dar altas gargalhadas.

Pro pessoal do pay-per-view pode ser meio boring, admito, já que a gente passa looooooooooooooooooo-ooooooooooo-oooooongos períodos só olhando pro micro e digitando e suspirando. Mas esse tédio seria compensando de muitas outras formas. Afinal, nós não temos ofurô, mas temos um sofá-cama que faz pegadinha do malandro. Nós não temos gostosas de biquíni, mas temos cuecas com superpoderes.

E todo mundo aqui tem apelo junto ao público, modéstia à parte. Todo mundo chora litros, todo mundo diz frases de livro de auto-ajuda e todo mundo tem VÁRIAS histórias tristes pra contar. Os perfis-chavão estão prontinhos. Tem o malvadzinho, a boa-moça, a desbocada, o boa-praça, o psicopata. Basta escolher seu favorito e votar.

A única diferença é que o eliminado sairia "da casa" com um baita sorriso de alívio no rosto, feliz, feliz, pulando e gritando "Obrigado, Meu Deus". Já quem fica, se enfiaria embaixo da pia em posição fetal.

Sério, eu já ouço os milhões batendo na minha conta. E olha só Endemol: eu só quero 20% do lucro total do programa. Fica aí a dica, tá?

sábado, novembro 03, 2007

Pessoinha


Meu sobrinho tem nove anos e é a minha pessoa favorita. No mundo inteiro. Não porque ele é criança e engraçadinho ou porque ele tem cílios compridos e eu o acho a criança mais bonita que já existiu. Isso é tudo verdade, mas não é por isso que ele é minha pessoa favorita.

Quando ele ainda não sabia falar meu nome e dava passinhos vacilantes, ele ia até meu case e pegava o CD do The Specials. Sempre o do The Specials. E me pedia pra pôr pra tocar e ficava horas balançando a fralda. Hoje ele vem em casa, pega meu Ipod e ouve Libertines enquanto joga Playstation.

E um dia eu estava dando banho nele e deixei ele escorregar. Não aconteceu nada sério, mas ele bateu a cabeça e chorou e eu também chorei de susto e de culpa. Ele parou de chorar, me deu um beijinho e disse que não tinha machucado e que a culpa era do chão do banheiro, não minha. Ele é simpático, mas de pouca conversa. Demora a confiar nas pessoas e prefere ver DVDs sozinho, porque conversas paralelas o incomodam. Então, ele simplesmente senta do meu lado e segura minha mão e a gente assiste três desenhos seguidos sem falar muita coisa. E daí ele me liga sem motivo, só pra dizer que gosta muito, muito, muito de mim. E ele é esquisito e tem medo de zumbis. Mas é capaz de passar horas tirando fotos fazendo caretas e sendo bobo, sem nem me chamar de mongol.

Não existe a menor chance dele perder o posto de pessoa favorita. Ever.