quarta-feira, janeiro 26, 2005

Survivor
Ainda traumatizada pelos últimos eventos, continuo minha campanha "Diversão Zero", visando evitar alguma má-notícia posterior. Fiz questão de ter o feriado mais chato possível: nada de cinema, nada de DVD, nada de boteco, nada de nada. A coisa mais excitante que fiz foi pesquisar preço de fogões no Ponto Frio (carerrímos, o Buscapé é muito mais eficaz).
Ah, é. O meu explodiu no sábado. Acordei modorrenta e, com preguiça de sujar panelas, decidi assar nuggets em vez de fritar. Já aluguei meu apartamento com um fogãozinho meio velho e surrado, mas com um acendimento automático muito bacana. Eu sabia que aquele fogão não era de confiança, mas não havia nada a fazer. Bom, daí pus os franguinhos no forno (temperatura máxima, pra assar logo porque eu estava com fome) e comecei a fazer um arrozinho. Quando eu ia mandar o arrozinho pro fogo, toca o telefone e eu corro pra atender. Um minuto depois do alô?, ouço uma explosão e demoro alguns segundos pra me ligar que o barulho vinha da minha própria casa, da minha própria cozinha. Olho pra lá e vejo centenas de milhares de cacos de vidro espalhados no chão e forno sem porta (mas ainda assando meus nuggets que, a essa altura, já estavam no ponto). Se o telefone não tivesse tocado e eu estivesse fazendo meu arrozinho, teria ficado com lindas pernas tigradas. Traumatizada, horrorizada e só, absolutamente só, superei meu temor, passei em frente ao forno macabro que ainda soltava seus cacos assassinos, desliguei o gás e fui comer no Mac Donalds da esquina. Não sem antes ligar pro namorido e dizer: "Tá vendo, vc não quis jogar o fogão fora COMO EU VENHO PEDINDO HÁ MESES, e por causa disso eu quase morri. Passar bem."
No momento, continuo sem forno e minha preguiça ainda é maior que minha sensatez, o que me faz continuar cozinhando nele como se nada tivesse acontecido.

sexta-feira, janeiro 21, 2005

In Vietnam The Wind Doesn't Blow, It Sucks

Filmes de guerra nunca foram os meus preferidos. Mas quando eu gosto de algum, eu gosto MUITO. Até hoje, apenas três títulos me conquistaram assim: Platoon, Círculo de Fogo e, o melhor de todos, Nascido Para Matar (Full Metal Jacket, Stanley Kubrick, 1987), que chegou ontem ao conforto do meu lar. Se algum filme já conseguiu mostrar de maneira nua e crua toda a bestialidade de uma guerra, foi esse. Kubrick não apela para nenhum tipo de sentimentalismo fácil e nem segue a trilha tradicional: cidades destruídas, população sofrida, soldados cruéis x soldados heróicos. Prefere retratar a deterioração do caráter, da consciência, da sanidade - enfim, de tudo que há de humano - em cada um daqueles soldados, que vão se tornando mais animais a cada conflito.
Dividido em duas partes, como se fosse o lado A e o lado B da guerra, o filme mostra primeiro o treinamento dos soldados, digno de campo de concentração, onde eles entram meninos absolutamente comuns e saem mecanizados, máquinas de destruição em massa.
Sem medo de exagerar, acho que esse é o melhor filme sobre o tema e talmbém um dos melhores do Kubrick.

terça-feira, janeiro 18, 2005

Já pra parede!!

Eu sei que é paranóia pura, coisa de gente louca que não tem dormido bem. Mas, ultimamente, a impressão que tenho é de que toda vez que me acontece uma coisa boa, outra muito ruim vem em seguida como para me lembrar que um bom cristão não deve ficar feliz demais. Não sei porque minha consciência vive culpada e eu sempre acho que tudo é castigo e não simplesmente acaso, fatalidade, coisas da vida.
Por essa lógica, se eu tive uma noite maravilhosa na sexta, com direito a chope geladíssimo, bar simpaticíssimo, todos os amigos mais queridos, muitas risadas, muitos presentes incríveis e algumas boas horas sem pensar em nada de ruim, obviamente que o castigo viria, e seria cavalar.
Nem precisei esperar muito, sábado de manhã o telefone toca e dispara uma nova bomba no terreno que ainda estava bem bagunçado pela anterior. E toca tirar forças sabe-se lá de onde para começar a nova maratona de visitas de dez minutos monitoradas, de noites insones e dolorosas, de sensação de impotência e ignorância, de repetir as mesmas frases à exaustão, de entrar em pânico cada vez que o telefone toca, de ficar com aquele cheiro estranho de vapor e alcool impregnado no corpo, de comida feia e sem gosto, de lidar com funcionários mal pagos e mal-humorados, e de esperar, esperar e esperar por uma boa notícia. E por mais que eu tente, não consigo encarar como uma coisa corriqueira o vizinho de quarto dono de canelas tão finas quanto meu pulso, que luta para puxar um pouquinho que seja de ar, ou a peregrinação de gente pelos corredores arrastando frascos presos à mangueiras que saem de seus corpos cobertos precariamente por camisolas azul-calcinha que não cobrem a bunda ou o desafio de atravessar uma ala abarrotada de macas, choro, vômito e correria para chegar ao meu destino diário.
O desafio agora é tentar não pensar no pior, tentar não planejar nada e tentar continuar fazendo piada para não cair no poço sem fundo. Nunca tive grande dificuldade nisso, mas a prova também nunca durou tanto tempo.
E eu acabei fazendo um post gigante sobre algo com o qual ninguém tem nada a ver e que não levará ninguém a lugar nenhum. Quem manda ganhar mal e não ter dinheiro pra terapia?
Joselito

As organizações Acme realmente existem. O nome pode ser outro, mas as idéias são tão absurdas quanto as dos desenhos.

quinta-feira, janeiro 13, 2005

Senilidade
Fazer aniversário é bom porque as pessoas te paparicam. Com o orkut é melhor ainda, porque elas ficam escrevendo o quanto eu sou linda, incrível, maravilhosa, sensacional, gente fina e o último biscoito da lata - e até as pessoas que eu nem imaginava que ainda lembrassem de mim escrevem. Eu, enquanto egolatra, megalomaníaca e carente que sou, estou adorando. Mas fazer aniversário é ainda melhor porque vc sabe que o maldito inferno astral vai ter que chegar ao fim. E este foi deveras diabólico, veja o meu saldo de novembro para cá:

- Novas rugas no rosto: 4;
- Quilos a menos: também 4, mas fiquei uma magra caída e não uma magra sarada e gostosona;
- Novas espinhas no rosto: 17. Isso mesmo, caros amigos, 17 feridas purulentas na cara;
- Nova proporção das olheiras: 3 centímetros a mais, e duas vezes mais escuras;
- Mullets: 2 (Cortesia do novo corte de cabelo, que me surpreendeu ao crescer alguns centímetros);
- Bronzeado saudável: 0;
- Brancura azeda: 7 vezes maior;
- Noites mal-dormidas: umas 25, e nenhuma por bons motivos;
- Noites bem-dormidas: cerca de 2 (Deus salve o Lexotan).

Cabadinha, coitada. Pretendia aderir ao plano de saúde que cobre plásticas quando chegasse aos 30, mas acho que vou dar uma adiantada.

terça-feira, janeiro 11, 2005

Esfinge
Eu e Gordo passando mal com o calor de ontem à noite. Comento: Queria dormir numa cama cheia de água e ficar só com o nariz pra fora.
E ele responde:
É, eu também. Eu queria ter uma cama que nem a daquele homem lá, aquele cego miserável que voava.
Fico com a mais completa cara de bolinha, imaginando se já foi feito algum filme em que o Ray Charles usasse asas biônicas.
Ahn?
É, aquele lá que voava, lembra, o homem sem medo.
Ah tah. Cego miserável que voava = o Demolidor.
Por isso meu amor é único.
Reloaded
Descontrol 2005 inaugura a temporada de posts com títulos.

segunda-feira, janeiro 10, 2005

Tem gente que vai achar radical e absurdo e vai cair matando. Eu, embora saiba que vou ter que me livrar do vício de uma vez por todas antes do final do mês, achei ducaralho. Também fico com Lauren.

quarta-feira, janeiro 05, 2005

Ouvindo: For God´s Sake - Jay Walkers.
Sem parar.

terça-feira, janeiro 04, 2005

Se existe algo em minha vida que eu realmente prezo de todo o coração é o meu sono. Se eu pudesse, dormiria dois meses seguidos em um quarto absolutamente escuro e à prova de som. Acordaria renovada e com a pele ótima. Também valorizo imensamente o fato de poder fumar cigarrinhos sempre e quantas vezes me der vontade. Pois bem: fazem exatas 30 horas que não prego os olhos e, nas quinze horas dessa maldita noite insone, não pude dar uma única baforada. Se alguém hoje vier perguntar se estou tendo um bom dia, eu mato.

segunda-feira, janeiro 03, 2005