quarta-feira, julho 14, 2010

Vida de pobre, vida de merda

O pior de ser pobre não é passar vontade, embora isso também seja muito ruim. Não é não ter um iate ou não passar férias em Ibiza ou não ter o cabelo da Gisele Bundchen. O pior de ser pobre é levar vida de pobre, mesmo. São as pobrezinhas do dia a dia. Duvida? Então vem comigo.

Ontem uma camisa que eu adoro voltou a me servir. Meu cabelo estava bom e meus olhos estavam só moderadamente inchados, então eu estava muitíssimo bem humorada o dia todo. A chuva nem me aborreceu. Daí chegou a hora de ir pra casa. Troquei meu lindo scarpin de verniz de bico finíssimo por uma melissa de prástico própria para chuva e à prova de leptospirose e fui. São 2 quadras do trabalho até o metrô. Na metade do caminho, o cabo do guarda-chuva quebrou e ficou só aquele cotoquinho pra segurar. Ficou parecendo que eu estava usando um chapéu de guarda-chuva. Mas tudo bem, minha camisa era linda e servia e eu sorri. O metrô estava lotado de pessoas segurando guarda-chuvas molhados nas minhas costas. A sacola com os sapatos finos começou a desbeiçar.

Chegando no Clínicas, tomei fôlego para a longa caminhada até em casa. A chuva, que só parecia uma garoa, estava fazendo poças de lama nojenta nos buracos da Teodoro. 500 mil pessoas se amontoavam nos pontos de ônibus na calçada, o que tornava impossível passar. A trilha sonora de Maria Antonieta, que tocava no Ipod, se misturava com o barulho da chuva batendo no guarda-chuva e acalmava meu coração, provocando uma experiência extra-sensorial. Início do ciclo menstrual rulez.

Com os pés encharcados, meu chapéu guarda-chuva, a barra das calças pesando 3 vezes mais de tão molhadas, o cabelo todo arrepiado, as sacolas pesadas e molhadas e o rímel borrado, atravessei a rua do último quarteirão rumo ao meu lar sequinho. Chutei algo que imaginei ser o lixo da Teodoro, que rola ladeira abaixo sempre que chove. Segui cantarolando, com o som bem alto.

Cheguei em casa, tirei o sapato nojento e corri atras do cachorro, que já havia roubado um pé de Melissa pra roer. Fui pôr as sacolas na mesa e tcharãn. Cadê os sapatos bonitos? A sacola havia se transformado em 2 pedaços de papelão encharcados e sem fundo. Sabe o lixo que eu chutei na Teodoro? Provavelmente eram meus lindos scarpins de verniz e bicos finíssimos. Sentei na cama pra chorar, o cão sentou ao meu lado e mijou no edredon.

Fim.

6 comentários:

Loo disse...

puta merda, meus olhos se encheram de lagrima
tenho PAVOR de perder coisas queridas (entenda-se sapatos, bolsas, roupas)

Suzana disse...

É por isso que eu mantenho esse blog, porque eu sei que vcs entendem minha dor. Snif.

sasse disse...

compartilho da sua dor, suzie, mas não seu pra segurar o riso quando o cachorro mijou no edredon! santa presença de espírito, batman!

Suzana disse...

Ele consola como ninguém. Pelo menos me distraiu da dor da perda do sapato.

Gab disse...

Caralho hein. E tu não foi atrás do "lixo" chutado? omg.
Sinto a dor por ti.
:/
Beijoo.

Stelline disse...

Su, fazia séculos que não passava por aqui e esbarrei nesse post... Salvou meu dia... Estou rindo até agora inaginando a situação... E entendo completamente essa coisa de cães devoradores de Melissas (rs)! Saudades...