quarta-feira, setembro 29, 2010

Embasbacada

Essa é a única palavra que eu tenho pra descrever os seis últimos dias, passados lá na cidade luz. Pela primeira vez na vida, não senti nenhuma saudade de casa nem alegriazinha de voltar, pelo contrário, chorei quase o voo inteiro e o taxista teve que me arrastar pra dentro do taxi, porque eu não queria entrar, não queria ir embora nunca mais.

Engraçado isso, porque eu nunca pirei em Paris. Queria conhecer, achava que devia ser bonita e tals, mas não era o grande o sonho da minha vida. Todo mundo dizia que era sujo, perigoso, que os parisienses eram grosseiros. E daí eu descobri que é tudo mentira de brasileiro invejoso - ou talvez eu seja a turista mais sortuda do mundo. Ninguém foi grosseiro comigo em nenhum momento, nem sequer mais ou menos mal educado. E olha que eu falei com um monte de gente e eu não falo nada de francês além de bonjour. Me deram sempre informações com a maior paciência do mundo, me atenderam sempre sorrindo, me perguntaram como se dizia um monte de coisas em português. No final, achei o povo bem parecido com os paulistanos: não ficam mostrando os dentes por qualquer coisa, mas são uma doçura se vc precisa deles.

Quase não fui a museus, pois passamos a maior parte do tempo esquecendo o guia e nos perdendo pelas ruazinhas e cafés e foi daí que surgiu meu encantamento e meu desejo de ficar ali para sempre. É claro que a cidade é linda, toda meio amarelada, com aqueles monumentos e prédios históricos de tirar o fôlego e a Torre é uma coisa embasbacante e etc. Mas não foi isso que me conquistou. Foram as pessoas sentadas nos cafés por hoooooooooras a fio jogando conversa fora. Foi olhar pra cima e ver a moça de cabelos curtinhos na janela tomando seu vinho e fumando seu cigarro. Foi o fato de todo mundo fumar e de todos os lugares terem um reservadinho pra nós. Foi tomar vinho no almoço e no jantar. Foi essa coisa deles com gatos. Foram as senhorinhas judias passeando com seus cachorrinhos. Foi não ver NENHUM cocô de cachorro na rua (em compensação, tinha um cocô de gente no metrô). Foi o vento gelado na cara, que chegava a arrancar lágrimas de tão gelado, debaixo do sol. Foi a falta de ladeiras e arranha-céus e o excesso de flores e livrarias. Foram os queijos e mais queijos a 1,4 euros no supermercado e o cheiro bom da rua das lojas de departamentos...

Acho que voltei meio diferente dessa vez, mais do que das outras - e a melhor coisa de viajar é poder trazer sua bagagem interior, que é o que te deixa diferente, não é? Com vontade de ter menos pressa, de admirar mais a qualidade do que a quantidade das experiências e com algumas certezas para os planos futuros. Mas essas serão outra história.

7 comentários:

Nira disse...

Que bom que você curtiu a viagem. Vai ser uma lembrança que você vai guardar para sempre!

sasse disse...

quero demais ver as fotos e ouvir mais comentários.

agora, puxando a sardinha pro meu lado, tem um monte dessas coisas aí que tem aqui em montréal também... só quis dizer.

beijos! saudades!

Momento Descontrol disse...

Nira, certeza, pra sempre mesmo!

Sassê, tô doidinha pra ir conferir se isso é verdade.

Thais Mittmann disse...

Oi, nunca comentei aqui, apesar de acompanhá-la há um tempinho, mas dessa vez não tinha como deixar passar... Você descreveu perfeitamente o que eu senti de Paris! Também voltei chorando, não só pela TAM fazer o favor de me enfiar num vôo/lotação da TAP, mas pq Paris simplesmente me emocionou! Por mim voltava todos os anos! Só não vi cocô no metrô! hahhuauhuha
Outra coisa que me impressionou foi a quantidade absurda de cinema de rua! Ai, que saudades
beijos

Renata disse...

você é a primeira pessoa que eu vejo falando bem dos parisienses. pra todo mundo que eu falo sobre a gentileza deles, sobre o cuidado quando percebiam que eu tava perdida, com a boa vontade de falar inglês, só recebo caras de "não sei do que você tá falando" de volta.

mas, há dois anos, quando eu fui, tinha MUITO cocô de cachorro na rua. eu reclamava o tempo todo disso pro flo e ele dizia que era um problema de lá mesmo, que a prefeitura já tinha tentado mil coisas.
que bom ver que não é mais assim. tô doida pra voltar!

dima disse...

o jeito de viver dos parisienses tb foi o que mais me encantou! tomar mais vinho que água e comer bries do tamanho de pneus por preço de queijo minas. ai ai ai! Concordo com tudo que vc disse!pode voltar agora?

Suzana disse...

Diz que sim, diz que sim, siiiiiiiiiim? Depressão pós-viagem que não passa...