quarta-feira, novembro 05, 2008

Obama

Eu estou feliz hoje. Pode ser uma tremenda paunocuzice, mas eu estou feliz hoje. Estou invejando os americanos, feliz e orgulhosa por eles. Me acostumei a creditar a eles a culpa por todos os males do mundo, a chamá-los de idiotas, a detestá-los com o mesmo rancor provinciano do resto do mundo. Mas hoje eles mostraram que são muitas coisas, mas não são idiotas. Nem passivos. Que, quando acreditam e querem alguma coisa, vão lá e fazem, mesmo que demorem oito anos para fazê-lo.

Há menos de 100 anos, muito menos, o novo presidente não poderia entrar em alguns estabelecimentos americanos. Não poderia se sentar em qualquer lugar no ônibus, frequentar a universidade ou nem mesmo beber água no mesmo bebedouro. Há 100 anos, ele poderia ser linchado, queimado e humilhado sem nenhuma consequência para quem o fizesse. Há 100 anos, ele seria menos do que nada. E agora ele é o presidente.

E é essa capacidade de propor e assumir mudanças dos americanos que me delicia. Há pouco mais de dez anos, quando Clinton estava na Casa Branca não pegando estagiárias, assumiu que fumou mas não tragou. Obama assumiu que fumou, tragou, bebeu e fez ainda mais um pouco. Trocaram Clinton por W. Bush. W. Bush cortou fundos para o aborto e fez inúmeras campanhas contra ele. Cortou verbas para a educação sexual em escolas primárias. Matou milhares de pessoas na guerra inventada. Deixou New Orleans afundar. Fez de conta que o 11/09 não aconteceu. Obama declarou ser à favor do direito de escolha da mulher sobre seu corpo e considera a invasão do Iraque irracional. Adjetivou a guerra de Bush como burra, mas admitiu não ser contra todas elas. Fora tudo isso, o cara é um rockstar, marqueteiro de primeira e tem tanto carisma quanto Madona.

O que me deixa mais incrível - e encantada - é que tudo isso que está acontecendo hoje é, em boa parte, culpa de uma molecada com menos de 30 anos que decidiu que não queria passar mais quatro anos engolindo sapos. Cansou de reclamar, foi lá e fez a coisa acontecer. E eu admito que chorei assistindo o jornal da manhã, vendo o povo comemorar com a trilha sonora de "Beautiful Day".

Daí eu penso na gente, aqui. A última vez que fiquei assim feliz foi em 2002. Chorei copiosamente ao som do hino nacional, me senti orgulhosa e cheia de esperança. Daí veio a realidade e cagou no pau. O povo reclama como sempre reclamou. Chora, faz denúncia, vai no Datena falar que o presidente não faz nada por eles. Na hora de votar, vai à praia. Não lê, não se interessa. Elege presidiário. E depois reclama mais.

Na próxima eleição, não tenho em quem votar. Eu não sou cientista política, não entendo picas disso e voto por amor e ideologia. Vivo do passado. E o PT do passado acabou faz tempo. Não temos Obama. Temos serras, aécios e martas. O que é que eu faço com isso, me diz?

Eu quero um green card agora.

5 comentários:

Joana disse...

assino embaixo!

ontem tava vendo o discurso do Obama e, ao mesmo tempo em que tava emocionada, não conseguia deixar de associar aquele clima de esperança com a vitória do Lula em 2002...

O feito é ótimo, Obama é presidente! mas será a ideologia dele aguenta o tranco?

Sabrina disse...

Eu, como Regina, tenho medo. Assim como chorei e comemorei a vitória do Lula - e me decepcionei que nem uma idiota -, fico receosa com o futuro. Será que ele vai ser tudo isso mesmo? É muita esperança em cima de um homem! Tomara que sim. Mas eu tenho medo...

Anônimo disse...

O assunto não tem nada a ver com o Obama,leio seu blog algum tempo e em uma de suas postagens vc comentou sobre brechós e eu gostaria que desse uma passada lá na minha casinha o endereço é www.brechoencantada.blogspot.com

Bjs

Clau

isa disse...

http://flickr.com/photos/barackobamadotcom/

galeria de fotos mostra Obama e sua família durante a divulgação dos resultados das eleições.

Momento Descontrol disse...

Eu tenho medo dele levar um tiro na cara. A desilusão virá, é claro, mas é tão gostoso esse clima de renovação que quero aproveitá-lo o quanto der...
Clau, obrigada pelo link do brechó! Vou dar uma passada lá assim que sobrar uns tostões!