quarta-feira, janeiro 28, 2009

Não é uma recaída, ou blog te faz sentir

É só uma homenagem a dois posts que eu achei muito bonitos e verdadeiros, sobre coisas que eu já senti, ainda sinto ou estou aprendendo a deixar de sentir. Um foi da Fal:

"Eu só posso entender quem não tem mais saco pra me ouvir sofrer. Eu não me aguento mais sofrendo, então, imagino quem tá em volta. Tem dias que vc se pergunta, mas porra, de onde vem tanta dor? Faz um ano e meio, essa porra não era pra tar diminuindo? Choro todos os dias, lembro todos os dias, nas coisas pequenas e nas grandes. Meu peito dói, todos os dias. Entendo as fofocas paralelas das felizes profissionais "ai, lá vem ela de novo". E, juro por deus, eu me controlo o mais que eu posso. Pelo menos por e-mails e ao vivo. No blog não, pq o blog é meu, lê quem quer, quem gosta.
Mas sério, entendo as reviradas de olho, as bufadas, os "não fique assim", que na verdade querem dizer "não fique assim perto de mim, pq eu tou de saco cheio".
Normal.
Mas, afe, muito tem me feito arregalar os olhos gente que bota data pra vc parar de sofrer. A moçada tem prazo. Pra você cumprir. Que tenham prazo pra aturar a gente, certíssimos, faz muito tempo, é um saco, recue. Mas botar data pro sofrimento alheio acabar, causa-me espécie.
Dai que fico muda. Falo aqui e na terapia, mas a terapia não dá conta da dor, que só alivia qd a gente fala sobre. Mando pouco e-mail, falo pouco e geralmente do tempo.
Quando vc vira um chato profissa, vc acaba não tendo com quem conversar, a verdade é essa. Ou vc ouve um "para de sofrer" ou uma edificante lição de vida. Um soprinho no rosto ninguém mais tem saco. Afinal, Fal, faz um ano e meio, já ouvimos todas as histórias. Back off."

Fal, faz 4 anos comigo e já tem bem tempo que eu só converso disso comigo mesma e com os gatos, porque a revirada de olho é de doer.

E o outro é o da Lan, de um outro tipo de saudades - quem nunca sentiu que jogue a primeira pedra:

"Acho que faz parte de todo amor perdido, após o auge da dor e do desespero, o esquecimento acolhedor e morno, que nos leva pra bem longe, até que acontece um gesto, uma atitude descuidada, uma palavra torta e pronto, vem a surpresa e com susto nos machucamos de novo, como se fosse a primeira vez. Seguimos neste ciclo, over and over again, cada vez com menos intensidade, até que a idéia de ser amado por aquela pessoa vá embora do corpo como um remédio que é eliminado pelos rins, ou um veneno.

A pior saudade é aquela saudade que a gente sente de alguém que não sente saudade da gente."

Me agarro na idéia em que chega o dia que essa daí vai embora de vez, Lan. Tem que ir, a desgramada.

3 comentários:

Lan disse...

Não sei nem o que dizer, te leio há tanto tempo e gosto tanto de tudo o que vc diz, que me ver copiada aqui agora foi bem bonito. Um beijo enorme! Ah, e eu também amo a Fal. =)

neutron disse...

Cara, que legal que você voltou. Porque eu vinha aqui direto e o blog tava restrito. Eu sou um comentador relapso, mas um leitor assíduo :)

Esse post da Fal detonou mesmo. O que ela fala sobre o sofrimento, sobre as pessoas não aguentarem mais ouvir a mesma coisa [como se quem reclama aguentasse sentir aquela dor]. E a Lan, caraca, nem tem o que falar. "A pior saudade é aquela saudade que a gente sente de alguém que não sente saudade da gente" matou a pau.

LizandraMA disse...

Fico pensando se sai mesmo pela urina, que nem o magnetismo do Jack Black no "Rebobine por favor". Não sei não...
Às vezes acho que vira uma cicatriz, e o coração da gente fica cheio de risquinhos, uns superficiais, outros bem fundos mesmo, com uma sutura tosca e retorcida.
Outras vezes acho que fica armazenado no fundo do cérebro, pronto para ser trazido de volta com um sonho, um latido de cachorro, um pé de sapato virado, sei lá...
Por falar em saudades, seu grande fã, lá de Diadema, te mandou beijo. Ai, não te disse que fiz as pazes com a sirigaita. A pobreza acaba com a nossa dignidade. Minha Scarlet within falou mais alto e decidi voltar atrás, mas bati o pé e ganhei reajuste. Enfim, depois de tanto tempo e com toda essa crise rondando, melhor garantir, né?