Três palavrinhas pra vcs: dicas de paris. Me mandem tudo: passeios que tem que fazer, passeios que são um engodo, o que e onde comer, o que comprar, que roupa levar. As dicas de quem já foi são muito melhores que as de qualquer guia. E ajudam o tempo a passar mais depressa.
Ajuda eu, gente.
sábado, agosto 07, 2010
quarta-feira, agosto 04, 2010
Everybody is gonna love today
A gente fica uma vida inteira se matando pra tentar encontrar a felicidade. Porque a gente tem essa obrigação, né? De ser feliz, de estar de bem com a vida etc. Dá-lhe anos de análise, remédios, casamentos e namoros esquisitos (melhor que ficar só, dizem), compras, chocolates, porres, drogas, tinta no cabelo, cortes de cabelo, massagens, diplomas... Tudo em busca dessa tal felicidade - bicha tímida, vc mal fez um cafuné nela e a safada já saiu correndo e se escondeu de novo.
Pois bem. Tudo besteira. Tudo perda de tempo isso daí. Felicidade mesmo é saber em agosto que vai ter show do Mika em novembro. Vão ser 3 meses de eufórica expectativa que Prozac nenhum jamais me deu e uma razão para viver como nunca tive antes. E uma razão pra continuar vivendo também depois do show, só pra poder aborrecer todo mundo contando como foi.
Quem diz que a idolatria é ridícula não entende nada de felicidade. Esse dois, esse dois, esse dois.
Pois bem. Tudo besteira. Tudo perda de tempo isso daí. Felicidade mesmo é saber em agosto que vai ter show do Mika em novembro. Vão ser 3 meses de eufórica expectativa que Prozac nenhum jamais me deu e uma razão para viver como nunca tive antes. E uma razão pra continuar vivendo também depois do show, só pra poder aborrecer todo mundo contando como foi.
Quem diz que a idolatria é ridícula não entende nada de felicidade. Esse dois, esse dois, esse dois.
Marcadores:
\o/; Feliz,
Amor,
Coração quentinho,
Música,
Vício
terça-feira, agosto 03, 2010
Lágrimas escassas
Eu queria, de todo o meu coração, ser do tipo que se emociona e chora lendo coisas inteligentes e profundas, como Virginia Woolf ou Silvia Plath. Ou, sei lá, vendo o filme da Bjork, aquele um que é tanta desgraça que todo mundo chora e fica pensando em suicídio depois.
Mas não. Eu sou do tipo que chora no metrô e se emociona e perde o sono por causa de Férias!
Bons tempos aqueles em que eu fazia força pra ser inteligente.
Mas não. Eu sou do tipo que chora no metrô e se emociona e perde o sono por causa de Férias!
Bons tempos aqueles em que eu fazia força pra ser inteligente.
terça-feira, julho 27, 2010
Porta dos desesperados do amor
Sergio Malandro costumava oferecer três portas. Em duas tinham monstros, em uma tinha um prêmio. Eu sempre torcia pra sair o monstro, porque era muito mais engraçado.
E essa é a minha vida amorosa: eu continuo preferindo o monstro. O prêmio é lindo, eu não vejo nenhum defeito nele. É cobiçado, caro, cheiroso, rikoh (no caso da minha vida amorosa, rikoh jamais existiu, mas vamos relevar). O prêmio era tudo que as crianças (ou as moçoilas) queriam. Daí elas ganhavam o prêmio, brincavam por uma semana e pimba! Na semana seguinte já estavam de saco cheio dele, de olho em um novo prêmio, que também era caro, lindo, cheiroso e rikoh. O prêmio sempre me entediou soberbamente.
Mas poxa, o monstro é MUITO mais engraçado, provoca sobressaltos, é marcante. Ok, vc fica pensando "porra, tirei o monstro, que diabos eu vou fazer com esse monstro?". Mas fazer o que? Você tirou o monstro e tem que conviver com ele. No começo é insuportável, ele fica grunhindo, te dando sustos, te fazendo chorar na frente das outras criancinhas. Não é certo, não é o que a sociedade espera de você. Simplesmente não era isso que você tinha sonhado pra sua porta dos desesperados!!!
Daí vc repara que o cabelo e a roupa do monstro são muito mais engraçados do que assustadores. Que o monstro tem um papo que não se encontra por aí em nenhum prêmio. Nenhuma bicicleta jamais tratou você daquele jeito antes! As criancinhas, que antes faziam escárnio de você e te apontavam na rua, querem usar seu monstro para assustar os irmãos menores. E, melhor de tudo, você pode ter um monstro diferente a cada dia, depende do humor com que ele acorda, enquanto o prêmio é sempre igual.
É claro que nem tudo são flores com o monstro. Enquanto a bicicleta é absolutamente pacata e previsível, o monstro ainda pula de trás de portas quando você menos espera e berra e grunhe. Você fica odiando o monstro. Mas sente saudade dele quando passa por uma porta e não tem nada atrás dela.
Desta metáfora concluo que amadurecer é assumir que você é uma pessoa de monstro, não de prêmio. E ser muito feliz justamente por causa dos sustos, não apesar deles.
E essa é a minha vida amorosa: eu continuo preferindo o monstro. O prêmio é lindo, eu não vejo nenhum defeito nele. É cobiçado, caro, cheiroso, rikoh (no caso da minha vida amorosa, rikoh jamais existiu, mas vamos relevar). O prêmio era tudo que as crianças (ou as moçoilas) queriam. Daí elas ganhavam o prêmio, brincavam por uma semana e pimba! Na semana seguinte já estavam de saco cheio dele, de olho em um novo prêmio, que também era caro, lindo, cheiroso e rikoh. O prêmio sempre me entediou soberbamente.
Mas poxa, o monstro é MUITO mais engraçado, provoca sobressaltos, é marcante. Ok, vc fica pensando "porra, tirei o monstro, que diabos eu vou fazer com esse monstro?". Mas fazer o que? Você tirou o monstro e tem que conviver com ele. No começo é insuportável, ele fica grunhindo, te dando sustos, te fazendo chorar na frente das outras criancinhas. Não é certo, não é o que a sociedade espera de você. Simplesmente não era isso que você tinha sonhado pra sua porta dos desesperados!!!
Daí vc repara que o cabelo e a roupa do monstro são muito mais engraçados do que assustadores. Que o monstro tem um papo que não se encontra por aí em nenhum prêmio. Nenhuma bicicleta jamais tratou você daquele jeito antes! As criancinhas, que antes faziam escárnio de você e te apontavam na rua, querem usar seu monstro para assustar os irmãos menores. E, melhor de tudo, você pode ter um monstro diferente a cada dia, depende do humor com que ele acorda, enquanto o prêmio é sempre igual.
É claro que nem tudo são flores com o monstro. Enquanto a bicicleta é absolutamente pacata e previsível, o monstro ainda pula de trás de portas quando você menos espera e berra e grunhe. Você fica odiando o monstro. Mas sente saudade dele quando passa por uma porta e não tem nada atrás dela.
Desta metáfora concluo que amadurecer é assumir que você é uma pessoa de monstro, não de prêmio. E ser muito feliz justamente por causa dos sustos, não apesar deles.
terça-feira, julho 20, 2010
Pilotando o fogão
Eu vivo comentando das maravilhas que a culinária fez na minha vida, mas sempre morro de preguiça de compartilhar receitas. Agora, amigos me intimaram a colaborar com seu blog de culinária e eu vou ver se crio vergonha na cara.
Pra quem tiver interesse, estreei com minha receita mágica de sopa de ervilha, para aquecer a pança e o coração: http://domeufogao.blogspot.com/
Pra quem tiver interesse, estreei com minha receita mágica de sopa de ervilha, para aquecer a pança e o coração: http://domeufogao.blogspot.com/
quarta-feira, julho 14, 2010
Vida de pobre, vida de merda
O pior de ser pobre não é passar vontade, embora isso também seja muito ruim. Não é não ter um iate ou não passar férias em Ibiza ou não ter o cabelo da Gisele Bundchen. O pior de ser pobre é levar vida de pobre, mesmo. São as pobrezinhas do dia a dia. Duvida? Então vem comigo.
Ontem uma camisa que eu adoro voltou a me servir. Meu cabelo estava bom e meus olhos estavam só moderadamente inchados, então eu estava muitíssimo bem humorada o dia todo. A chuva nem me aborreceu. Daí chegou a hora de ir pra casa. Troquei meu lindo scarpin de verniz de bico finíssimo por uma melissa de prástico própria para chuva e à prova de leptospirose e fui. São 2 quadras do trabalho até o metrô. Na metade do caminho, o cabo do guarda-chuva quebrou e ficou só aquele cotoquinho pra segurar. Ficou parecendo que eu estava usando um chapéu de guarda-chuva. Mas tudo bem, minha camisa era linda e servia e eu sorri. O metrô estava lotado de pessoas segurando guarda-chuvas molhados nas minhas costas. A sacola com os sapatos finos começou a desbeiçar.
Chegando no Clínicas, tomei fôlego para a longa caminhada até em casa. A chuva, que só parecia uma garoa, estava fazendo poças de lama nojenta nos buracos da Teodoro. 500 mil pessoas se amontoavam nos pontos de ônibus na calçada, o que tornava impossível passar. A trilha sonora de Maria Antonieta, que tocava no Ipod, se misturava com o barulho da chuva batendo no guarda-chuva e acalmava meu coração, provocando uma experiência extra-sensorial. Início do ciclo menstrual rulez.
Com os pés encharcados, meu chapéu guarda-chuva, a barra das calças pesando 3 vezes mais de tão molhadas, o cabelo todo arrepiado, as sacolas pesadas e molhadas e o rímel borrado, atravessei a rua do último quarteirão rumo ao meu lar sequinho. Chutei algo que imaginei ser o lixo da Teodoro, que rola ladeira abaixo sempre que chove. Segui cantarolando, com o som bem alto.
Cheguei em casa, tirei o sapato nojento e corri atras do cachorro, que já havia roubado um pé de Melissa pra roer. Fui pôr as sacolas na mesa e tcharãn. Cadê os sapatos bonitos? A sacola havia se transformado em 2 pedaços de papelão encharcados e sem fundo. Sabe o lixo que eu chutei na Teodoro? Provavelmente eram meus lindos scarpins de verniz e bicos finíssimos. Sentei na cama pra chorar, o cão sentou ao meu lado e mijou no edredon.
Fim.
Ontem uma camisa que eu adoro voltou a me servir. Meu cabelo estava bom e meus olhos estavam só moderadamente inchados, então eu estava muitíssimo bem humorada o dia todo. A chuva nem me aborreceu. Daí chegou a hora de ir pra casa. Troquei meu lindo scarpin de verniz de bico finíssimo por uma melissa de prástico própria para chuva e à prova de leptospirose e fui. São 2 quadras do trabalho até o metrô. Na metade do caminho, o cabo do guarda-chuva quebrou e ficou só aquele cotoquinho pra segurar. Ficou parecendo que eu estava usando um chapéu de guarda-chuva. Mas tudo bem, minha camisa era linda e servia e eu sorri. O metrô estava lotado de pessoas segurando guarda-chuvas molhados nas minhas costas. A sacola com os sapatos finos começou a desbeiçar.
Chegando no Clínicas, tomei fôlego para a longa caminhada até em casa. A chuva, que só parecia uma garoa, estava fazendo poças de lama nojenta nos buracos da Teodoro. 500 mil pessoas se amontoavam nos pontos de ônibus na calçada, o que tornava impossível passar. A trilha sonora de Maria Antonieta, que tocava no Ipod, se misturava com o barulho da chuva batendo no guarda-chuva e acalmava meu coração, provocando uma experiência extra-sensorial. Início do ciclo menstrual rulez.
Com os pés encharcados, meu chapéu guarda-chuva, a barra das calças pesando 3 vezes mais de tão molhadas, o cabelo todo arrepiado, as sacolas pesadas e molhadas e o rímel borrado, atravessei a rua do último quarteirão rumo ao meu lar sequinho. Chutei algo que imaginei ser o lixo da Teodoro, que rola ladeira abaixo sempre que chove. Segui cantarolando, com o som bem alto.
Cheguei em casa, tirei o sapato nojento e corri atras do cachorro, que já havia roubado um pé de Melissa pra roer. Fui pôr as sacolas na mesa e tcharãn. Cadê os sapatos bonitos? A sacola havia se transformado em 2 pedaços de papelão encharcados e sem fundo. Sabe o lixo que eu chutei na Teodoro? Provavelmente eram meus lindos scarpins de verniz e bicos finíssimos. Sentei na cama pra chorar, o cão sentou ao meu lado e mijou no edredon.
Fim.
quarta-feira, julho 07, 2010
Semântica
Eu tenho um problema sério com a semântica. Algumas palavras me passam certas impressões e me causam birra e eu não uso nunca. Esposa é uma delas. Tenho ojeriza da palavra esposa. Esposa = mulher traída que não faz sexo, tem 8 dedos de raiz de cabelo branco e usa chinelo com meia. Não me pergunte por que, eu não sei, mas é isso que imagino. Daqui dez anos de análise eu explico.
Noiva é outra delas. A menina pode ser a mais linda do mundo, falou que é noiva eu já a imagino usando um vestido de mangas bufantes, paradinha em cima do altar, toda virgem. Acho cafona, tenho vergonha de gente que dá festa de noivado, que usa aliança de noivado e que se refere ao outro como "meu noivo". A pessoa parece ser tão normal, tão equilibrada e daí pãns, é noiva.
Por isso que eu nunca quis ser esposa nem noiva, prefiro ser sempre namorada. Ainda que uma namorada que mora na mesma casa, divide contas e compra cachorro junto. Namorada dá presente, sai pra jantar, se arruma, se perfuma, vai no cinema. Esposa bate bolo. Entendeu a paranóia?
Além da semântica, eu também tenho problemas com essa coisa de você ter que lavrar seus sentimentos em cartório, jurar na frente de um monte de gente, se vestir de merengue e assinar o livro do cartório pra provar que quer ficar com a outra pessoa. Se quer ficar, vai e fica e pronto. As suas promessas são apenas pra vcs dois. Nem Deus, nem o padre e nem o juiz tem nada a ver com isso. Sim, eu fugi da fila do romantismo e não entendo o sentido dessas celebrações bizarras.
Daí ontem fui comemorar o terceiro aniversário de namoro, comer lagosta e encher a cara de vinho, bem pobres de espírito que somos. E daí ele me deu um anel de noivado e eu fiquei com aquela cara de pastel, completamente embevecida e dando gritinhos, comédia romãntica style. Mas daí eu lembrei da semântica e falei: "mas quer dizer que agora eu sou uma noiva?". E a resposta dele explica por que eu estou com ele: "Não, vc é uma namorada que usa um anel bem bonito".
Em tempo: o anel não tem nada cafona e eu sou uma romântica hipócrita.
Noiva é outra delas. A menina pode ser a mais linda do mundo, falou que é noiva eu já a imagino usando um vestido de mangas bufantes, paradinha em cima do altar, toda virgem. Acho cafona, tenho vergonha de gente que dá festa de noivado, que usa aliança de noivado e que se refere ao outro como "meu noivo". A pessoa parece ser tão normal, tão equilibrada e daí pãns, é noiva.
Por isso que eu nunca quis ser esposa nem noiva, prefiro ser sempre namorada. Ainda que uma namorada que mora na mesma casa, divide contas e compra cachorro junto. Namorada dá presente, sai pra jantar, se arruma, se perfuma, vai no cinema. Esposa bate bolo. Entendeu a paranóia?
Além da semântica, eu também tenho problemas com essa coisa de você ter que lavrar seus sentimentos em cartório, jurar na frente de um monte de gente, se vestir de merengue e assinar o livro do cartório pra provar que quer ficar com a outra pessoa. Se quer ficar, vai e fica e pronto. As suas promessas são apenas pra vcs dois. Nem Deus, nem o padre e nem o juiz tem nada a ver com isso. Sim, eu fugi da fila do romantismo e não entendo o sentido dessas celebrações bizarras.
Daí ontem fui comemorar o terceiro aniversário de namoro, comer lagosta e encher a cara de vinho, bem pobres de espírito que somos. E daí ele me deu um anel de noivado e eu fiquei com aquela cara de pastel, completamente embevecida e dando gritinhos, comédia romãntica style. Mas daí eu lembrei da semântica e falei: "mas quer dizer que agora eu sou uma noiva?". E a resposta dele explica por que eu estou com ele: "Não, vc é uma namorada que usa um anel bem bonito".
Em tempo: o anel não tem nada cafona e eu sou uma romântica hipócrita.
quinta-feira, julho 01, 2010
Orgulho e preconceito
Tipos de gentes que me agradam (nunca pensei que eu fosse conseguir fazer uma lista tão extensa):
Gente que faz piada até da mãe mortinha
Gente que sabe a hora de ir embora
Gente que usa desodorante
Gente que entende piadas
Gente que bebe gim tônica
Gente que gosta de bicho
Gente que prefere as vilãs de novela
Gente ruim
Gente que não sabe o que é impedimento, mas sabe que amarelo não combina com verde.
Gente que não desiste de mim e me liga de vez em quando
Gente que sabe que 2+2 nem sempre é 4
Gente que me conta os podres de gente que eu não gosto
Gente que gasta 3 dígitos num sapato, mas fica regulando R$ 20 para a vaquinha de aniversário do colega porque "tá sem dinheiro" (que é gente que sabe onde investir)
Gente que admite que ser mãe não é só alegria
Gente que vai na minha casa
Gente segura
Gente que se arrepende
Gente que imita sotaques
Tipos de gentes que, seu pudesse, eu matarra mil
Gente egocêntrica
Gente mimizenta
Gente adulta
Gente politizada
Gente cheia de razão
Gente que pega homem de amig@
Gente sem graça
Gente que não acha graça de nada
Gente que acha graça do Casseta e Planeta
Gente que só fala de carro e futebol
Gente que pega balada
Gente cujo maior sonho na vida é ter 48 de bíceps
Gente que para na frente da porta e atrapalha seu direito de ir e vir
Gente que grita
Gente com cabelo liso, comprido, reto e na cor natural - sendo que a cor natural é cor de burro quando foge
Gente que nunca ficou de pilequinho
Gente que acha foi assim porque deus quis
Gente que não toma decisão nenhuma por medo de se arrepender
Gente que diz que "isso dá câncer" (e é sempre alguma coisa muito gostosa, tipo carne, cigarro ou açúcar)
Gente que fala por mais de 15 minutos sem parar pra tomar fôlego
Gente que não lê o manual
Gente que finge estar conversando com você, mas não presta atenção ao que vc diz
Gente que não respeita os outros
Gente que trata mal os empregados
Gente que me cutuca ou pega em mim sem prévia autorização
Gente que só fala de dieta
Gente que não olha no espelho
Gente que nunca me liga e depois diz que eu tô sumida
Gente que vai na minha casa sem avisar
Gente que não acha meu cachorro lindo
Gente que não faz cosquinha na barriga do meu cachorro
Gente que reclama que uma lista não é um post
Gente que faz piada até da mãe mortinha
Gente que sabe a hora de ir embora
Gente que usa desodorante
Gente que entende piadas
Gente que bebe gim tônica
Gente que gosta de bicho
Gente que prefere as vilãs de novela
Gente ruim
Gente que não sabe o que é impedimento, mas sabe que amarelo não combina com verde.
Gente que não desiste de mim e me liga de vez em quando
Gente que sabe que 2+2 nem sempre é 4
Gente que me conta os podres de gente que eu não gosto
Gente que gasta 3 dígitos num sapato, mas fica regulando R$ 20 para a vaquinha de aniversário do colega porque "tá sem dinheiro" (que é gente que sabe onde investir)
Gente que admite que ser mãe não é só alegria
Gente que vai na minha casa
Gente segura
Gente que se arrepende
Gente que imita sotaques
Tipos de gentes que, seu pudesse, eu matarra mil
Gente egocêntrica
Gente mimizenta
Gente adulta
Gente politizada
Gente cheia de razão
Gente que pega homem de amig@
Gente sem graça
Gente que não acha graça de nada
Gente que acha graça do Casseta e Planeta
Gente que só fala de carro e futebol
Gente que pega balada
Gente cujo maior sonho na vida é ter 48 de bíceps
Gente que para na frente da porta e atrapalha seu direito de ir e vir
Gente que grita
Gente com cabelo liso, comprido, reto e na cor natural - sendo que a cor natural é cor de burro quando foge
Gente que nunca ficou de pilequinho
Gente que acha foi assim porque deus quis
Gente que não toma decisão nenhuma por medo de se arrepender
Gente que diz que "isso dá câncer" (e é sempre alguma coisa muito gostosa, tipo carne, cigarro ou açúcar)
Gente que fala por mais de 15 minutos sem parar pra tomar fôlego
Gente que não lê o manual
Gente que finge estar conversando com você, mas não presta atenção ao que vc diz
Gente que não respeita os outros
Gente que trata mal os empregados
Gente que me cutuca ou pega em mim sem prévia autorização
Gente que só fala de dieta
Gente que não olha no espelho
Gente que nunca me liga e depois diz que eu tô sumida
Gente que vai na minha casa sem avisar
Gente que não acha meu cachorro lindo
Gente que não faz cosquinha na barriga do meu cachorro
Gente que reclama que uma lista não é um post
segunda-feira, junho 28, 2010
Dá licença
Eu assumo: tenho 31 anos e não dirijo. Digo que é porque não gosto, pelo meio ambiente, whiskas sache, mas a verdade é que é porque eu não sei. Não consigo aprender, entro em pânico sempre que o carro morre e as pessoas me xingam e concluí que vivo muito bem sem um carro. Moro a quatro quadras do metrô e gosto da liberdade de poder encher a cara e depois pegar um taxi.
O transporte público tampouco me tira do sério. Centenas de anos sacolejando em ônibus e trens lotados tornaram essa tortura algo normal pra mim. Não, não é bom. Quando vc pega um busão em São Paulo, vc não vai pra qualquer outro lugar que não seja o inferno, indepedente do que diga a plaquinha do itinerário. Serão sovacos na sua cara, cabelos melados de Kolene no seu nariz, pisões no seu pé, encoxadas, beliscões, bolsadas na cabeça, cotoveladas na boca do estômago. Isso se você tiver sorte. Se não tiver, ainda corre o risco de passar o trajeto inteiro ouvindo o pagodão que algum educadinho achou interessante dividir com todos os outros passageiros por meio do seu celular super moderno.
Mas, como eu disse, acostumei. Vou no máximo resmungar, mas não vou ficar com dor de cabeça por causa do inevitável. O que me dá dor de cabeça, mesmo, é a falta de educação do povão. No ônibus não tem privilegiados, tá todo mundo fodido. Quem senta fica olhando pros outros com ar de superioridade, porque aquilo é o máximo de vantagem que vc vai ter. Mas tem gente que parece acreditar que caga cheiroso, desculpem a expressão.
Dia desses tava eu lá no Largo da Pólvora às 8h da manhã. Não cabia mais uma brisa. Para dar passagem pro povo no corredor, eu já estava praticamente dando uma chave de coxa no rapaz sentado à minha frente, pensei até em oferecer um vinho e botar um jazz. Mas a civilidade pedia e todo mundo estava passando pelo corredor, com apenas um pouco de esforço.
Daí a gordinha passa a catraca e para. "Dá licença". Joguei a bunda pro outro lado, porque era o máximo de movimento permitido. O rapaz sentado até animou. A gordinha nem se mexeu. "Dá licença". Adotei a técnica "a-ham Cláudia, senta lá" e não me mexi mais. "Dá licença", "Dá licença", "Dá licença". O senhor que estava do outro lado do corredor só faltou baixar as calças e vestir a camisinha, porque era só o que faltava para consumar a felação com a velhinha sentada no banco à frente dele. Dava pra passar 3 gordinhas naquele espaço, mas ela continuava. "Dá licença".
O cara se irritou. "Dá licença pra onde, porra?" Daí ela falou as palavras mágicas, que despertaram a pomba-gira que vive em mim (e passa a maior parte do tempo dormindo, justiça seja feita): "Ih, logo cedo e já tá estressado". Mas é claro que ele tava. O busão inteiro estava. Por causa dela. Ela passou e meteu uma cotovelada no tiozinho. E foi aí que meu pezinho esquerdo simplesmente escorregou na frente dela. Foi de propósito e foi com gosto. Ela não caiu nem nada, nem tinha espaço pra cair. Mas catou um cavaco e passou vergonha. Saiu xingando e ainda teve que ouvir um "Tá vendo, Deus castiga" do tiozinho.
Foi Deus não, meu senhor. Fui só eu fazendo o upgrade da econômica pra primeira classe do inferno. Feliz da vida.
O transporte público tampouco me tira do sério. Centenas de anos sacolejando em ônibus e trens lotados tornaram essa tortura algo normal pra mim. Não, não é bom. Quando vc pega um busão em São Paulo, vc não vai pra qualquer outro lugar que não seja o inferno, indepedente do que diga a plaquinha do itinerário. Serão sovacos na sua cara, cabelos melados de Kolene no seu nariz, pisões no seu pé, encoxadas, beliscões, bolsadas na cabeça, cotoveladas na boca do estômago. Isso se você tiver sorte. Se não tiver, ainda corre o risco de passar o trajeto inteiro ouvindo o pagodão que algum educadinho achou interessante dividir com todos os outros passageiros por meio do seu celular super moderno.
Mas, como eu disse, acostumei. Vou no máximo resmungar, mas não vou ficar com dor de cabeça por causa do inevitável. O que me dá dor de cabeça, mesmo, é a falta de educação do povão. No ônibus não tem privilegiados, tá todo mundo fodido. Quem senta fica olhando pros outros com ar de superioridade, porque aquilo é o máximo de vantagem que vc vai ter. Mas tem gente que parece acreditar que caga cheiroso, desculpem a expressão.
Dia desses tava eu lá no Largo da Pólvora às 8h da manhã. Não cabia mais uma brisa. Para dar passagem pro povo no corredor, eu já estava praticamente dando uma chave de coxa no rapaz sentado à minha frente, pensei até em oferecer um vinho e botar um jazz. Mas a civilidade pedia e todo mundo estava passando pelo corredor, com apenas um pouco de esforço.
Daí a gordinha passa a catraca e para. "Dá licença". Joguei a bunda pro outro lado, porque era o máximo de movimento permitido. O rapaz sentado até animou. A gordinha nem se mexeu. "Dá licença". Adotei a técnica "a-ham Cláudia, senta lá" e não me mexi mais. "Dá licença", "Dá licença", "Dá licença". O senhor que estava do outro lado do corredor só faltou baixar as calças e vestir a camisinha, porque era só o que faltava para consumar a felação com a velhinha sentada no banco à frente dele. Dava pra passar 3 gordinhas naquele espaço, mas ela continuava. "Dá licença".
O cara se irritou. "Dá licença pra onde, porra?" Daí ela falou as palavras mágicas, que despertaram a pomba-gira que vive em mim (e passa a maior parte do tempo dormindo, justiça seja feita): "Ih, logo cedo e já tá estressado". Mas é claro que ele tava. O busão inteiro estava. Por causa dela. Ela passou e meteu uma cotovelada no tiozinho. E foi aí que meu pezinho esquerdo simplesmente escorregou na frente dela. Foi de propósito e foi com gosto. Ela não caiu nem nada, nem tinha espaço pra cair. Mas catou um cavaco e passou vergonha. Saiu xingando e ainda teve que ouvir um "Tá vendo, Deus castiga" do tiozinho.
Foi Deus não, meu senhor. Fui só eu fazendo o upgrade da econômica pra primeira classe do inferno. Feliz da vida.
quarta-feira, junho 23, 2010
Uia!
Que perigo essa coisa do blog poder mudar de cara toda hora. Não há mais limites pra minha cafonice!
Melancolia é que dá Ibope
Da última vez que repassei meu checklist de mimimis, estava tudo nota dez com estrelinhas. Ou nota zero, já que não tinha nenhum. Pela primeira vez na história desta biografia, eu não tenho nenhuma reclamação a fazer. Estou apaixonada pela minha casa, meu trabalho, meu cachorro, minha analista, meu namorado, meus amigos e meu professor de inglês. A família não deu nenhum vexame nos últimos dois meses. Dinheiro não tem, mas também não tem dívida. Há perspectivas de viagens incríveis no horizonte. É Copa, eu tenho desculpa pra beber e abraçar estranhos durante o expediente. Vou reclamar do que? Verde e amarelo não me favorecem, mas até aí, não favorecem ninguém. Tem temporada nova de True Blood.
Não dá pra escrever textos vicerais sobre a diarréia que o cachorro teve e que quase me matou de preocupação. Nem do meu extremo orgulho por ter aprendido a fazer uma sopa de ervilha de lamber a panela. Nem da minha ansiedade para cortar o cabelo no próximo sábado. Ou seja, a vida tá boa, mas nada interessante.
Então, não estranhem eu aparecer tão pouco, mas é que eu tenho preferido ser feliz a ter assunto.
Não dá pra escrever textos vicerais sobre a diarréia que o cachorro teve e que quase me matou de preocupação. Nem do meu extremo orgulho por ter aprendido a fazer uma sopa de ervilha de lamber a panela. Nem da minha ansiedade para cortar o cabelo no próximo sábado. Ou seja, a vida tá boa, mas nada interessante.
Então, não estranhem eu aparecer tão pouco, mas é que eu tenho preferido ser feliz a ter assunto.
terça-feira, maio 18, 2010
sábado, maio 15, 2010
Extremamente alto & incrivelmente perto
Estou lendo de novo. Tinha lido há algun anos, numa época em que minhas botas pareciam ser as mais pesadas do mundo inteiro. Naquele tempo eu acreditava ter perdido tudo, família, amigos, marido, até os bichos de estimação tinham ido embora. Meu único objetivo, quando acordava, era conseguir fazer as horas passarem depressa o suficiente para que eu pudesse dormir de novo, de preferência por muito tempo. E foi bem difícil acabar o livro, porque é uma história engasgada de perdas, e cada linhazinha que eu lia parecia um anzol descendo pelo meu coração.
Então decidi ler de novo agora, quando minhas botas estão mais leves do que plumas, para ver que outro sentido eu tirava da história. E estou vendo que o anzol continua lá, puxando tanto quanto antes. Mas meu coração parece estar mais resistente. Ao contrário de antes, quando eu queria ser colocada no colo e amada da mesma forma que o Oskar, hoje eu tenho vontade de dar colo e amar o Oskar. Parece que não preciso mais ser aquele que se faz roxos, porque estou forte o suficiente para cuidar dos roxos. os meus e os dos Oskars.
Não é que eu não sinta mais as perdas nem lamente toda a dor que vem com elas. É só que eu não penso mais no que poderia ter feito para evitá-las. Não busco mais jeitos de reconstruir o que se foi, pessoas para substituir as que não estão mais aqui. Aceitei que elas são insubstituíveis e sempre serão parte de mim. O que não existe mais sempre vai estar vivo enquanto eu estiver, pois foi o que fez o que eu sou.
E tudo que eu não quero hoje é deixar de existir, sumir, desistir. Quero com muita força continuar a escrever a minha história, uma história nova que deve ser bem diferente daquela que passou porque eu sou diferente da pessoa que viveu aquele passado. Parece piegas, mas hoje eu quero que cada dia dure bastante, porque as 24 horas são muito pouco para todas as coisas que eu estou construindo e para estar com todas as pessoas que trocam minhas botas por sapatilhas de balé. Não se trata de uma felicidade eufórica, ansiosa. Se trata apenas de existir com satisfação.
Sobre o livro, tenho a sensação de finalmente ter entendido o que a Vó quis dizer.
"Passei a vida aprendendo a sentir menos. Cada dia eu sentia menos. Isso é envelhecer? Ou é algo pior? Não é possível proteger-se da tristeza sem antes proteger-se da felicidade."
Então decidi ler de novo agora, quando minhas botas estão mais leves do que plumas, para ver que outro sentido eu tirava da história. E estou vendo que o anzol continua lá, puxando tanto quanto antes. Mas meu coração parece estar mais resistente. Ao contrário de antes, quando eu queria ser colocada no colo e amada da mesma forma que o Oskar, hoje eu tenho vontade de dar colo e amar o Oskar. Parece que não preciso mais ser aquele que se faz roxos, porque estou forte o suficiente para cuidar dos roxos. os meus e os dos Oskars.
Não é que eu não sinta mais as perdas nem lamente toda a dor que vem com elas. É só que eu não penso mais no que poderia ter feito para evitá-las. Não busco mais jeitos de reconstruir o que se foi, pessoas para substituir as que não estão mais aqui. Aceitei que elas são insubstituíveis e sempre serão parte de mim. O que não existe mais sempre vai estar vivo enquanto eu estiver, pois foi o que fez o que eu sou.
E tudo que eu não quero hoje é deixar de existir, sumir, desistir. Quero com muita força continuar a escrever a minha história, uma história nova que deve ser bem diferente daquela que passou porque eu sou diferente da pessoa que viveu aquele passado. Parece piegas, mas hoje eu quero que cada dia dure bastante, porque as 24 horas são muito pouco para todas as coisas que eu estou construindo e para estar com todas as pessoas que trocam minhas botas por sapatilhas de balé. Não se trata de uma felicidade eufórica, ansiosa. Se trata apenas de existir com satisfação.
Sobre o livro, tenho a sensação de finalmente ter entendido o que a Vó quis dizer.
"Passei a vida aprendendo a sentir menos. Cada dia eu sentia menos. Isso é envelhecer? Ou é algo pior? Não é possível proteger-se da tristeza sem antes proteger-se da felicidade."
segunda-feira, abril 19, 2010
Pontuação
Um aperto estranho no peito, o sono que não vem, a dificuldade em sorrir.Talvez seja a constatação do que já acabou faz tempo, ou talvez a frustração por não conseguir colocar um ponto final numa história quem insiste em reticências mesmo sem ter mais nada a dizer. Um capítulo igual ao outro.
Olho para todas as coisas tão cheias de significado e ao mesmo tempo tão vazias. O que tudo quis dizer? Será que alguém realmente errou ou só não era pra ser? Será que seria justo optar por apenas uma entre todas as coisas que nos são caras, será que é o certo dar peso pro nosso gostar?
Nunca consegui responder e ainda não sei. E me pergunto se todas as cores que eu achava que só eu via realmente existem ou foram só alucinação?
Olho para todas as coisas tão cheias de significado e ao mesmo tempo tão vazias. O que tudo quis dizer? Será que alguém realmente errou ou só não era pra ser? Será que seria justo optar por apenas uma entre todas as coisas que nos são caras, será que é o certo dar peso pro nosso gostar?
Nunca consegui responder e ainda não sei. E me pergunto se todas as cores que eu achava que só eu via realmente existem ou foram só alucinação?
quinta-feira, abril 08, 2010
Anos 90 feelings
É assim que os calégas de trabalho me vêem (odeio e ignoro a nova gramática, beijos):

Só não sei como é que um bando de meninos de 20 e poucos anos ainda se lembra da noiva do Dinho.

Só não sei como é que um bando de meninos de 20 e poucos anos ainda se lembra da noiva do Dinho.
Assinar:
Postagens (Atom)
